No Dia do Holocausto, Conib e governo abordam ações contra a intolerância

“Poucas décadas depois do Holocausto, judeus na Europa estão novamente com medo de sair às ruas e, mais uma vez, percebendo que poucos dão a devida importância aos ataques antissemitas praticamente cotidianos”, afirmou o presidente da Conib, Fernando Lottenberg, durante a cerimônia do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, realizada na noite de 27 de janeiro, na sede da OAB em Brasília, com organização da Conib e da Associação Cultural Israelita de Brasília.

Saudando a OAB, na pessoa do Presidente Marcus Vinicius, símbolo no Brasil de resistência e de liberdade, a Casa dos Advogados, “a minha casa, que nos cedeu este nobre espaço”, Lottenberg relembrou as figuras de Moyses Kauffman e Benno Milnitsky, ex-presidentes da Conib e advogados, que a conduziram em tempos difíceis.

Ele prosseguiu: “…No Brasil, felizmente ainda estamos distantes desse tipo de radicalismo e ações violentas. Presenciamos, no entanto, ataques contra praticantes de religiões de matriz africana e homossexuais. A comunidade judaica brasileira com eles se solidariza, publicamente. Por isso, convidamos representantes dessas comunidades aqui hoje para homenageá-los, pois sabemos como é importante o apoio e o reconhecimento de atos de intolerância. Só assim eles serão reprimidos”.

“A atualização do antissemitismo de outrora vem na forma do antissionismo – a negação do direito de os judeus de terem seu Estado em Israel”.

Foram homenageados na noite os seis milhões de judeus mortos no Holocausto e também vítimas da intolerância no Brasil. Ben Abraham e Aleksander Laks, sobreviventes do Holocausto falecidos em 2015, foram especialmente lembrados. A sede da OAB abrigou uma exposição com fotos e obras de ambos. A menina Kayllane Campos, praticante do candomblé atacada com pedras em 2015, acendeu uma das velas da solenidade.

A presidente Dilma Rousseff enviou uma mensagem ao presidente da Conib, lida pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, da qual destacamos um trecho: “Ao mantermos viva a memória do Holocausto, alertamos as gerações do presente e do futuro para o abismo moral em que nos precipitamos quando o preconceito torna-se a norma e a intolerância, a prática”.

Wagner pediu a todos um “compromisso pessoal e individual de evitar a intolerância”.

Em seu pronunciamento, Marcus Vinicius, presidente da OAB, disse que a pluralidade e a liberdade devem ser os valores maiores a orientar a comunidade global. “É preciso que a memória que hoje se registra seja efetivada em ações concretas. É necessário avançar no marco legal. A OAB, por seu compromisso com a Carta Magna, nos leva a pregar sempre a convivência pacífica das controvérsias.

Diversas crenças, diversos grupos são perseguidos ainda hoje pelo fato de serem diferentes. Cada discriminação fere a luta pela igualdade.

Percebemos que pessoas são julgadas por um autoritarismo e um extremismo que andam sempre juntos. O Brasil segue o caminho do respeito e do amor pela divergência, somos a pátria da liberdade. Esse momento histórico afirma o apoio do Brasil à comunidade judaica”.

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Fernando Lottenberg, babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Kayllane Campos, praticante do candomblé e George Legmann, sobrevivente do Holocausto.
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Segunda vela, acesa por Lior Ben Dor, Miriam Necrycz, viúva do sr. Ben Abraham, Andrzej Braiter, embaixador da Polônia, Marianne Feldmann, embaixadora da Áustria, Ricardo Savone, embaixador do Canadá, e conselheira Marie Koenning, representando o embaixador da Alemanha no Brasil.
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Terceira vela, acesa por Aloizio Mercadante, Gilberto Kassab, José Serra, Nahum Reiman e Raymond Frajmund, sobreviventes do Holocausto.

 

Fotos: Edgar Marra.

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