“França recebeu advertências de Israel há duas semanas”

A França recebeu duas advertências há duas semanas de um perceptível aumento da comunicação entre grupos jihadistas no Oriente Médio e possíveis ativistas locais, assegura um dos maiores especialistas israelenses em serviços secretos.

“As comunicações tinham como destino várias cidades na França”, afirma o jornalista Ronen Bergman, do diário “Yediot Aharonot”, que cita altas fontes da inteligência israelense.

Por isso “foram adotadas especialmente medidas defensivas, como o reforço da vigilância em torno das delegações estrangeiras em Paris”, mas nenhuma medida para interceptar os autores da cadeia de atentados da última sexta-feira.

No artigo, “O fiasco da inteligência”, Bergman, autor de vários livros sobre o tema, que também publica artigos na imprensa alemã e dos EUA, afirma que “é impossível saber por enquanto se as advertências que a França recebeu teriam a ver especificamente com estes ataques, mas o fiasco segue ‘gritando’ aos céus”.

Desde os atentados a redação do “Charlie Hebdo” e ao supermercado kosher em janeiro passado, ”a França optou por adotar medidas menores, e tem evitado uma reforma geral” para abordar um problema, o dos ‘jihadistas’ locais que voltam do front na Síria, do qual até a ONU advertiu em um informe.

Um alto assessor do FBI disse ao jornalista que entre os oferecimentos que a União Europeia e Israel fizeram à França estava a aquisição de equipamentos eletrônicos avançados para as redes sociais e a interceptação de mensagens de diversas origens e conteúdos.

“Mas, não aconteceu nada”, prossegue o jornalista que atribua o fracasso da inteligência francesa em interceptar aos autores dos ataques a sua negativa em compartilhar informações.

Segundo ele os franceses se mostraram refratários a compartilhar informações, o que os todos os especialistas na área consideram fundamental quando se trata da luta contra o terrorismo jihadista.

Bergman sustenta que a luta contra o um terrorismo transnacional de corte islamista requer um “investimento enorme de recursos” e a criação de de “mecanismos de informação comuns para todos os Estados, o que exigirá que deixem de lado o grande ego nacional”.

EFE

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