Rabino Michel Schlesinger: a importância do diálogo inter-religioso entre muçulmanos e judeus

O rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP) participou da 10ª Conferência sobre Diálogo Inter-Religioso no Qatar, ao lado de representantes de mais de 70 países.

Líderes judeus, muçulmanos e cristãos se reuniram na cidade de Doha, em torno do tema: “Melhores práticas no diálogo inter-religioso”.

Em entrevista ao BB Press, realizada na CIP, o rabino destacou o caráter enriquecedor do encontro em termos humanos, importante também na construção do respeito e do diálogo inter-religioso. Este mesmo diálogo que aprendeu com seus avós Hugo e Janina, fundadores do Conselho de Fraternidade Cristão Judaico de São Paulo, nos anos 60, e ativistas da B’nai B’rith, nos quais Janina atua até hoje.

“O evento me proporcionou a oportunidade de conversar com muçulmanos: libaneses, sírios, líbios, sauditas, iraquiano, iranianos, que se consideram palestinos – e de conhecer um pouco sobre a família e a realidade humana de cada um, o que fez surgir algo gostoso, uma identificação muito forte, capaz de superar qualquer desafio”, disse ele.

Ao explicar que mesmo quando surgia o tema do conflito entre israelenses e palestinos, o assunto permanecia no campo da política, ressaltou: ”Na religião nós temos oportunidade de criar bases de carinho, respeito e de solidariedade para enfrentar as dificuldades políticas”.

Destacou o gesto do Qatar ao reunir lideres das três religiões para que ouvissem uns aos outros nos diversos momentos do evento, “criando vínculos humanos, fazendo com que a confiança e a dignidade fiquem a acima de qualquer desconfiança”.

Vê com tristeza a piora na relação entre Israel e Síria, “o que não pode ser lido como um conflito entre muçulmanos e judeus, porque não é, e sim entre sírios e israelenses”. Na medida em que é possível fazer esta separação, podemos dizer: “os muçulmanos precisam se inspirar em suas escrituras sagradas para inspirar os seus irmãos a buscar o caminho da paz, os judeus precisam se inspirar em suas escrituras sagradas para influenciar os seus irmãos judeus israelenses a buscar o caminho da paz. A religião não é o problema. A religião é a solução”, afirmou.

 

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