Genética esclarece discussão sobre origem de judeus na Europa

Os judeus da Europa têm origem em uma mistura de ascendências, incluindo diversas tribos que se converteram ao judaísmo, revelou um estudo genético publicado esta quinta-feira.

Este estudo deverá regular um debate que já dura mais de dois séculos.

Os judeus asquenazes, de origem europeia, representam cerca de 90% dos mais de 13 milhões de judeus existentes no mundo atualmente.

Segundo a hipótese conhecida como “renana”, os asquenazes descendem dos judeus que fugiram da Palestina após a conquista muçulmana, no ano 638 d.C.

Ainda de acordo com esta teoria, eles se radicaram no sul da Europa e depois, ao final da Idade Média, cerca de 50 mil deles se deslocaram da Renânia, na Alemanha, para a Europa do Leste.

Alguns, entretanto, consideram esta hipótese inverossímil, porque o cenário seria impossível em termos demográficos, pressupondo um salto da população dos judeus da Europa oriental de 50.000 indivíduos no século XV a cerca de 8 milhões no começo do século XX.

A taxa de natalidade seria, assim, dez vezes superior àquela da população local não judia. Isto apesar das dificuldades econômicas, as doenças, as guerras e os ´pogroms´, que arruinaram as comunidades judaicas.

Para tentar ver isto de forma mais clara, um estudo publicado na revista britânica Genome Biology and Evolution comparou os genomas (que formam o patrimônio genético) de 1.287 indivíduos sem vínculo familiar descendentes de oito grupos de populações judias e 74 de não judias.

O geneticista Eran Elhaik (da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos) analisou estes dados, em busca de mutações no código de DNA ligadas à origem geográfica de um grupo.

Estes indicadores já tinham sido utilizados no passado para lançar luz às origens dos bascos ou dos pigmeus do sul da África.

Entre os judeus da Europa, o geneticista encontrou assinaturas ancestrais que apontam claramente para o Cáucaso e também, mas em menor medida, para o Oriente Médio.

Segundo Eran Elhaik, estes resultados sustentam a teoria rival da hipótese renana, conhecida com o nome de “hipótese Cazare”.

De acordo com esta teoria, os judeus do leste europeu descendem dos cazares, uma mistura de clãs turcos que se instalaram no Cáucaso nos primeiros séculos de nossa era e, influenciados pelos judeus da Palestina, se converteram ao judaísmo no século VIII.

Os judeus cazares construíram um império florescente, atraindo os judeus da Mesopotâmia e do Império bizantino.

Eles prosperaram a tal ponto que emigraram para Hungria e Romênia, plantando as sementes de uma vasta diáspora.

Mas o império cazare ruiu no século XIII, atacado pelos mongóis e debilitado pelas epidemias da peste negra.

Os judeus cazares então fugiram para o oeste, instalando-se no reino polonês e na Hungria, onde suas competências em finanças, economia e política eram apreciadas. Segundo a hipótese cazare, eles finalmente se espalharam pela Europa central e ocidental.

“Nós concluímos que o genoma dos judeus da Europa é um mosaico de populações antigas, incluindo os cazares judaizados, os judeus greco-romanos, os judeus da Mesopotâmia e da Palestina”, explicou Eran Elhaik.

“A estrutura de sua população se formou no Cáucaso e às margens do Volga, com raízes que se estendem à região de Canaã e às margens do Jordão”, acrescentou.

Segundo Elhaik, a história escrita nos genes se sustenta em descobertas arqueológicas, pela literatura judaica que descreve a conversação dos cazares no judaísmo, assim como pela língua.

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