B’nai B’rith Brasil lamenta o falecimento de Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto, escritor e Prêmio Nobel da Paz

Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto, foi um escritor defensor da liberdade, e da “consciência da Humanidade”, de acordo com o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama.

Faleceu neste sábado, 2 de julho, aos 87 anos, em Nova York, EUA.

Prêmio Nobel da Paz em 1986, Wiesel foi libertado em abril de 1945, aos 17 anos, do campo de concentração de Buchenwald, onde viu seu pai morrer Nascido em Sighet, Romênia (na época Hungria), em 1928, foi levado com a família para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, quando a Alemanha nazista conquistou o país, em 1944. Lá sua mãe e irmã mais nova foram mortas nas câmaras de gás. Ele e seu pai foram transferidos para Buchenwald.

Depois da guerra, estudou em Paris, com duas irmãs mais velhas e começou a trabalhar como jornalista. Escreveu 50 livros.

Decidiu dedicar sua vida à memória, para que o flagelo do Holocausto não fosse esquecido. Lutou contra o negacionismo – a tentativa de negar ou de minimizar o massacre de 6 milhões de judeus europeus.

Algumas de suas importantes mensagens :

“A educação é a chave para impedir que o ciclo de violência e ódio que manchou o Século XX se repita no Século XXI.”

“Digo que o medo deve ser seguido pela esperança. Espero – que você faça algo a respeito. É um chamado à ação.”

“A esperança é como a paz. Não é um presente de D’us. É um presente que somente nós podemos dar um ao outro.”

“Decidi dedicar minha vida a contar a história porque senti que tendo sobrevivido, devo algo aos mortos, e todo aquele que não se lembra os trai mais uma vez.”

“Não perdi a fé em D’us. Tenho momentos de raiva e de protesto. Às vezes fiquei mais perto d’Ele por causa disso.”

“Jurei nunca ficar em silêncio sempre e onde quer que seres humanos estejam passando por sofrimento e humilhação. Devemos sempre adotar um lado. A neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima.”

Em entrevista à Revista Veja em 13 de junho de 2009 (edição2112), respondeu à pergunta:

“Por que negar o holocausto tem de ser um crime e não um direito garantido pela liberdade de expressão?

Porque dói. Dói nos sobreviventes, nos seus filhos e nos filhos de seus filhos. Quem nega o holocausto, por causa da dor que inflige aos sobreviventes e seus descendentes, comete mais do que apenas um pecado. É uma crueldade, uma felonia. Mesmo assim, nem todos os países punem a negação do holocausto. Na Alemanha e na França, isso é crime. Nos Estados Unidos, não.”

Para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu: “Elie personificava o triunfo do espírito humano sobre o mais inimaginável dos males. Das trevas do Holocausto, Elie se tornou uma poderosa força para a luz, a verdade e a dignidade. Sua vida e trabalho foram uma grande bênção para o Povo Judeu, o Estado Judeu e toda a Humanidade.”

Que a memória de Elie Wiesel, um elevado espírito que nos ensinou a lembrar, seja para sempre abençoada”.

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, destacou:
“Sua vida foi dedicada à luta contra todo e qualquer ódio e pelo bem do homem criado à imagem de Deus. Ele era um guia para todos nós. Um dos maiores filhos do Povo Judeu, que tocou os corações de tantos e ajudou-nos a acreditar no perdão, na vida e no vínculo eterno do Povo Judeu. Que sua memória seja uma bênção eternamente gravada no coração da nação”.

Elie Wiesel acreditava na bondade do ser humano.

A B’nai B’rith Brasil lamenta a lacuna deixada pelo desaparecimento desta voz tão importante para o judaísmo e para a Humanidade. E atua para que as suas mensagens de educação, esperança e ação sempre estejam presentes nas mentes e corações de todos os membros de nossa sociedade.

Com plena defesa dos Direitos Humanos, e da convivência sem discriminação e em liberdade.

Abraham Goldstein
Presidente nacional

Lia Bergmann
Assessora de Direitos Humanos

Elie-Wiesele-Dalai-Lama
Elie Wiesel com o ex-presidente George W. Bush e Dalai Lama em 17 de outubro de 2007, nos Estados Unidos.

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