Maioria dos judeus em Israel é a favor de apartheid na Palestina

A maioria dos judeus de Israel é favorável à sua separação total com os árabes que vivem no país e representam 20% da população. A defesa, por essa parcela da sociedade local, de um apartheid na Palestina foi a conclusão de uma pesquisa realizada neste mês pelo grupo Dialog e publicada no diário Haaretz.

A três meses das eleições gerais no país, a pesquisa divulgada hoje, feita com 550 israelenses judeus, aponta os problemas da polarização da sociedade de Israel e seu direcionamento ao ultranacionalismo.

Segundo a pesquisa, 59% dos entrevistados são favoráveis aos judeus terem preferência em relação aos árabes para ocupar cargos da administração civil e governamental. Além disso, 42% dos israelenses judeus querem que o Estado os trate de forma melhor que o restante da população e dizem que não viveriam em um prédio com vizinhos árabes, nem matriculariam seus filhos em escolas mistas.

Os números não são uma novidade. Para a ONG Adalah, de proteção dos direitos da minoria árabe no país, o principal problema é a coalizão de direita do primeiro-ministro Benjamín Netanyahu e a falta de ações do governo para prevenir o racismo.

“Não é nenhuma surpresa que Israel esteja se convertendo em um Estado cada vez mais racista. No momento, não há nenhum tipo de conscientização da população judia sobre os árabes israelenses”, afirma Saleh, um dos porta-vozes da entidade que preferiu não dizer seu nome completo.

“O governo israelense está se movendo em direção ao apartheid, não apenas na Cisjordânia, mas também dentro de Israel, com diversas leis para discriminar a minoria árabe”, analisa Saleh.

Caso Israel tente anexar a Cisjordânia, hipótese pouco provável, os números em favor de um apartheid disparam entre os judeus israelenses. A criação de estradas separadas é apoiada por 74% dos entrevistados e 69% proibiria os árabes de votar para o Parlamento.

Quase metade (47%) dos judeus israelenses seriam favoráveis ao envio dos cidadãos árabes à Cisjordânia e 36% apoiam um intercâmbio de árabes em troca de assentamentos na região.

A pesquisa também aponta que os ultraortodoxos têm a opinião mais radical sobre os árabes, com 80% deles sendo favoráveis ao envio dessas pessoas à Cisjordânia e 95% defendem o apartheid em Israel.

Fonte: Opera Mundi

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