Abraham Goldstein fala na abertura da exposição Holocausto Luz e Trevas, no Rio de Janeiro

Abraham-ExposicaoAbraham Goldstein, presidente nacional da B’nai B’rith, iniciou seu discurso dia 25 de julho no Museu do Amanhã parabenizando o prefeito Marcelo Crivella, sua equipe de governo, e o pessoal do Museu, liderado por Alfredo Tolmasquim e ao Museu do Holocausto de Curitiba, coordenado por Carlos Reiss, pela realização da exposição HOLOCAUSTO – TREVAS E LUZ.

Realizar este evento num momento em que o nosso Rio de Janeiro, o nosso Brasil e o nosso mundo passam por momentos de grandes incertezas, desafios sociais e econômicos sem precedentes, tanto em complexidade quanto dimensão, é um marco na determinação da busca de um caminho sadio e democrático para todos.

Um momento histórico onde a tolerância se mistura com a desobediência e desrespeito, quando as referências e estruturas sociais são alteradas de forma que está cada vez mais difícil deixar claro o que é certo e o que não é. Quando os princípios morais e a verdade histórica incontestável e comprovada são substituídos por interesses oportunistas e circunstanciais, como tem recentemente ocorrido nos fóruns da Unesco, com o lamentável voto do Itamaraty.

E é nestes momentos que a liderança não pode deixar de se manifestar. A liderança comprometida com princípios da Lei, os princípios morais e sociais.

Assim o fez com a coragem devida a Dra. Tereza Bergher, Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos de seu governo, Dr. Marcelo Crivella, ao posicionar-se questionando a autorização dada pelo nosso governo à vinda ao nosso país do líder religioso xiita do Irã, Sr. Mohsen Araki.

Este líder religioso que promove uma cultura que discrimina, que quer eliminar o outro, inclusive um país amigo do Brasil, o Estado de Israel. Líder religioso de um país que financia e dá abrigo a terroristas. Terroristas estes que dinamitaram há 23 anos a sede da organização judaica AMIA em Buenos Aires, Argentina, matando 85 pessoas. Além da sede da Embaixada Israelense no mesmo país e cidade…

Queremos PAZ, queremos HARMONIA, queremos PROGRESSO e queremos LEI, Lei democrática, transparente e justa para todos e de todos. E todo ser humano, inclusive o líder Mohsen Araki, que os promoverem é bem vindo.

A nossa entidade, B’nai B’rith, quer dizer, filhos da Aliança, foi fundada em 1843, por 12 jovens judeus de origem alemã e imigrantes na cidade de Nova York, Estados Unidos.

B’nai B’rith – filhos da aliança de D’us com o homem Abrãao para a promoção e vivencia do monoteísmo ético. Monoteísmo que Abraão levou pelo seu caminho desde a região de Ur, hoje Iraque, à eterna região de Israel.

A B’nai B’rith estabeleceu-se no Brasil em 1932, portanto, há 85 anos, inicialmente em São Paulo, e em 1934 no Rio de Janeiro, na Loja Albert Einstein que existe e é ativa até os dias de hoje.

E temos como ponto central de nossa preocupação a atuação a busca e prática da Fraternidade, Harmonia e Beneficência em nome de uma convivência democrática e reconhecedora dos valores dos Direitos Humanos e sua prática. Mas sempre atentando que o DEVER vem primeiro. Cumpra o seu DEVER que TERÁS DIREITOS.

Para reconhecer os valores dos Direitos Humanos precisamos nos educar de forma que reconheçamos a importância dos mesmos em nosso dia a dia. Em nosso relacionamento saudável, sem discriminação e pleno respeito às diferenças, sejam elas sociais, religiosas e politicas.

Assim, a educação continuada, consistente e transparente, passa a ser a mais eficiente ação que podemos tomar para que cada cidadão, em qualquer idade e condição, possa reconhecer o valor da convivência com respeito.

E nada melhor do que educar, tendo como referencia um dos mais horríveis episódios da história recente humana, o HOLOCAUSTO.

O HOLOCAUSTO foi praticado pelos nazistas e seus colaboradores em todas as regiões europeias que se estabeleceram pela força de suas armas e determinação da mente deturpada e doentia de suas lideranças.

O HOLOCAUSTO assassinou 6 milhões de judeus, apenas por serem judeus, em cerca de sete anos. Matou centenas de milhares de Ciganos, centenas de milhar de Testemunhas de Jeová, além de padres, negros, opositores políticos, debilitados físicos e mentais, enfim todos aqueles que o regime nazista definiu como elemento indesejável para a construção de uma sociedade ariana.

Lembramos que estas teorias sociais foram sustentadas e justificadas por eminentes estudiosos da época, que serviram aos interesses de um governo dirigido por um demente eleito democraticamente, se assim pode se dizer, pois, se apresentava como um salvador para superar a grave crise econômica em que a Alemanha estava envolvida, como resultado, principalmente, dos pesados ônus de sua derrota na I Guerra Mundial.

O HOLOCAUSTO não é apenas um problema ou uma questão judaica. O HOLOCAUSTO é uma questão e exemplo para a HUMANIDADE.

Um exemplo para a HUMANIDADE aprender com a dura realidade de até onde o HOMEM INTOLERANTE, DISCRIMINADOR pode ir ao DESRESPEITAR os outros que ele define como diferentes e indesejáveis.

Com este objetivo educacional, a B’nai B’rith lançou desde 2004, o seu projeto O ENSINO DA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA E CIDADANIA. Um projeto dedicado aos nossos educadores, aos nossos alunos, principalmente das escolas de ensino fundamental.

Tão relevante é este fato para a humanidade, que a Assembleia Geral da Organização das Nações Humanas, estabeleceu, com o apoio e voto do Brasil, em 2005, portanto, 60 anos após o termino da II Guerra Mundial, dia 27 de janeiro, como o Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto. Nesta mesma resolução recomenda, a todos os países membros, a sua especial atenção para a educação de suas novas gerações acerca dos horrores resultantes da intolerância e discriminação.

Os nossos educadores, elementos fundamentais e preciosos na educação de nossa juventude e novas gerações, precisam de nosso apoio e reconhecimento. Precisam ter a oportunidade de serem informados com a realidade recente que se abateu de forma tão impactante sobre a humanidade, há cerca de 80 anos. Uma época tão recente e tão distante, ao mesmo tempo.

O programa da B’nai B’rith iniciou-se com Jornadas aos Educadores. Primeiramente em São Paulo, logo em seguida no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, e em Belo Horizonte e Contagem.

Contando com o apoio de eméritos educadores como a Profa. Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro, Profa. Dra. Helena Levin, Prof. Roberto Antunes e tantos outros.

Reunimos em todos estes anos, cerca de 10.000 educadores, tendo afetado e influenciado mais de meio a um milhão de alunos. Pode parecer pouco para a dimensão de nosso país. Mas, é de grão em grão que se alcança o objetivo.

Educação não é um momento … é um processo.

Um processo que envolve a todos, desde as Secretarias Educacionais, os Diretores regionais, os Diretores das escolas, os Coordenadores, os professores e os alunos.

Oferecemos ao educador a oportunidade de ver e reconhecer a dimensão da tragédia humana implementada pelos nazistas, começando por ações de propaganda onde grupos são discriminados, aulas que ensinam e justificam o porquê alguém ou um grupo é indesejável, a separação do discriminado do seio social para perpetuar a sua mensagem negativa, a sua degradação e, por fim, a sua eliminação por morte.

Morte organizada, estruturada, industrializada de forma que se alcance o objetivo e as metas de maneira “natural”, aceitável e suportada pelos demais, escolhidos a viver.

Nos últimos dois anos, em São Paulo, oferecemos uma peça de teatro, chamada o Mergulho, para os alunos das escolas e seus professores.

Apresento a você uma gravação que fizemos numa das sessões da peça de teatro: O MERGULHO.

Podem ver a participação dos alunos e sua contribuição, externando as suas preocupações e busca de uma solução integradora.

Estaremos realizando, no Rio de Janeiro, a nossa Jornada 2017, nos próximos dias 22 e 23 de agosto, no Museu Histórico Nacional. Quem estiver interessado, recomendo que procurem o nosso secretário executivo, Dr. Jayme Gudel, aqui presente ou o Prof. Roberto Antunes.

Para respeitar o outro, você precisa conhecê-lo e ele precisa te conhecer.

Assim, participamos, desde a sua fundação, do Diálogo Católico Judaico, que vem evoluindo com a inclusão de outros grupos religiosos, notadamente islâmicos.
Participamos e apoiamos iniciativas contra a violência e o ódio, tanto em caráter religioso como humano. Como a palestra no próximo dia 9 de agosto na Faculdade de Direito da UFRJ, sobre o tema VIOLENCIA e ÓDIO.

Estamos e participamos do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Participamos ativamente do Conselho Nacional pela Promoção da Integração Racial, com a nossa colega Patricia Tolmasquim. Além de outras iniciativas.

Completo dizendo que para termos uma sociedade mais humana, integrada, saudável e harmoniosa, temos que não ter receio de conhecer o outro assim como sermos conhecido por ele.

Temos que educar os nossos filhos, alunos de nossos professores e professoras a quem devemos apoiar e informar, promovendo os valores da diversidade e respeito.

Educar é uma prática diária, em cada momento de nosso dia a dia. Respeitando, sabendo ouvir, comentar com paciência. Tendo valores definidos e na prática constante do DEVER para se ter o DIREITO.

Assim, reitero, em nome da B’nai B’rith os nossos profundos parabéns pela iniciativa da realização desta exposição neste tão lindo e nobre local, o MUSEU do FUTURO.
UM FUTURO melhor que todos nós esperamos alcançar, juntos.

Shalom

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