CONVENIÊNCIA OU HIPOCRISIA?

Temos acompanhado, assim como uma relevante parte do mundo, os desdobramentos e sofrimento que tem se abatido sobre os cidadãos do Estado de Israel e a população que vive sob o controle do Hamas na faixa de Gaza.

É inocência e irresponsabilidade analisar os efeitos da situação apenas baseado nos registros dos últimos dias na região.

De um lado, o HAMAS, braço regional da Irmandade Muçulmana, declarou, desde a sua fundação e registro de sua carta, o seu objetivo de estabelecer na região os seus preceitos e valores do Islã, excluindo qualquer presença de infiéis, incluindo o Estado de Israel. Acredita e propõe que a causa é mais importante que a vida. E que todo esforço e sacrifício são aceitos para cumprir o objetivo, em nome de Allah.

As autoridades israelenses, vendo o possível uso de foguetes por parte de seus vários inimigos regionais, tomaram diversas providencias protegendo a vida de seus cidadãos e estabelecer um sistema de defesa capaz de reduzir substancialmente a possibilidade de um projétil alcançar e danificar uma área densamente povoada. Treinou e investiu para viver. Pois no judaísmo a preservação da vida é o grande objetivo que todo homem ou mulher deve perseguir.

Partindo destes conceitos de vida e das ações que foram tomadas em decorrência deles, entende-se a grande diferença nos tristes e lamentáveis resultados com as perdas de vidas humanas no recente conflito em Gaza e Israel.

Portanto, o resultado de uso da força se explica pela prioridade ao valor da vida que é seguida pelos envolvidos.

Não reconhecer este fato, além de quem iniciou a extensão do conflito lançando grande número de mísseis e foguetes, é no mínimo um comportamento conveniente ou hipócrita.

Toda autoridade governamental tem o dever e a responsabilidade de defender os cidadãos que ela administra, representa e, num ambiente democrático, inspira e educa. E esta responsabilidade sempre foi levada muito à sério por todo e qualquer governo israelense, independente de sua preferencia de linha política.

Como consequência das ações e ameaças terroristas dos diversos movimentos palestinos, as autoridades israelenses tem justificado aplicarem ações em defesa da segurança de seus cidadãos. Isto tem efeitos na liberdade de todos na região, especialmente dos próprios palestinos.

 

A faixa de Gaza compreende um espaço de 365 km2, tem uma fronteira de 11 km com o Egito, 51 km com Israel e cerca de 42 km com o mar Mediterrâneo. Diz-se que é mantida sob constante vigilância de Israel e seus aliados, é bloqueada por terra, mar e ar. Tem uma fronteira instável com o Egito que se manteve plenamente aberta no curto período de um ano do governo da Irmandade Muçulmana, com o Presidente M. Mursi.

Para a construção do arsenal de guerra, com milhares de foguetes, alguns mísseis e outros equipamentos, além da construção de um complexo de tuneis em profundidade até alcançar o território israelense para ataques surpresa, o Hamas precisou contar com o fornecimento de dinheiro, materiais, conhecimento e aprendizado. Isto não se constrói sem que os responsáveis pela vigilância do local saibam e nem a sua população de 1,7 milhão de habitantes compartilhe.

Pergunto, quem os forneceu? Como foi possível ludibriar todo o anunciado e avançado sistema de vigilância que os países envolvidos com a região costumam dizer que podem dispor, quão restrito é realmente o chamado “bloqueio” israelense à população de Gaza?

Creio que são perguntas que precisam de uma resposta honesta e sincera.

Creio ser mais do que hora para os representantes dos países que querem a PAZ e se dizem preocupados com a busca de uma solução de convivência e a criação de dois estados para dois povos atuarem em favor de seus discursos.

É mais do que hora de ter a coragem e atuar com a visão de um estadista que quer um futuro sem medo e com progresso para o seu povo, a sua nação.

É mais do que hora de rever ações do passado, reconsiderar as que têm causado e impossibilitado entendimentos e acordos sinceros e duradouros.

Encontrar a PAZ exige confiança entre os que a procuram. E confiança é obtida quando se demonstra e deseja o entendimento que se consegue com o diálogo, independente das circunstancias.

Senão, mais vidas serão prejudicadas, mais sofrimento será sentido e cada vez maior destruição iremos – conveniente ou hipocritamente – assistir, criticar e lamentar.

Abraham Goldstein
Presidente da B’nai B’rith do Brasil

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