É induzido o suicídio em Gaza

Realmente, Israel é hoje ‘uma bolha de riqueza e bem-estar’, mas isto é fruto do trabalho e dedicação de um povo que transformou um deserto numa nação de inovações

por Osias Wurman –  28/05/2018

O artigo do jornalista Rasheed Abou-Alsamh, publicado nesta editoria de Opinião na sexta-feira, estava eivado de imprecisões. Iniciou seu obtuso relato afirmando que os palestinos foram mortos por “balas israelenses disparadas por militares aparentemente cumprindo ordens para causar o máximo de estrago”.

Um jornalista que faz uma acusação tão grave não tem o direito profissional de usar a palavra “aparentemente”. Na dúvida, não deveria endossar esta leviana mentira. Ao contrário do que escreveu Rasheed, o cuidado dos militares israelenses foi total para não acertar inocentes que foram maliciosamente misturados com os terroristas do Hamas. Estes traziam coquetéis Molotov, explosivos e até armas camufladas. Crianças, mulheres grávidas, deficientes físicos em cadeiras de roda e até bebês foram levados para a zona das pretendidas invasões, num flagrante “crime contra os direitos humanos” praticado pela irresponsável liderança de Gaza. Indenizações foram prometidas aos que fossem feridos nos conflitos. Aliás, prática tradicional da liderança palestina de pagar mesadas às famílias de terroristas mortos ou presos em Israel.

Lamentamos a morte de qualquer ser humano, pois faz parte do DNA judaico-cristão preservar o valor máximo da vida; mas é preciso esclarecer que 50 das vítimas eram guerrilheiros do Hamas. Quem desvendou este fato foi o membro da liderança do grupo, Salah Bardawil, em entrevista gravada e amplamente divulgada, inclusive pela renomada Agencia France Press.

O relato malicioso de que enquanto a embaixada americana estava sendo inaugurada em Jerusalém, capital de fato do Estado de Israel, palestinos de Gaza estavam sendo mortos, faz parte da falaciosa narrativa de vitimização que mantém o povo palestino como eternas vítimas e subjugados refugiados.

Por que os palestinos da Cisjordânia não se manifestaram contra a inauguração da embaixada? Por que os palestinos que residem em Jerusalém Oriental também não se manifestaram? Por que os 2,5 milhões de árabe-israelenses ficaram indiferentes aos conflitos na fronteira com Gaza e o evento na nova embaixada? Teria sido por indiferença em relação a seus irmãos ou por entenderem melhor que o ato de invasão de Israel era um factoide suicida?

O Hamas desperdiçou milhões de dólares de ajuda internacional construindo foguetes Qassam, lançados contra as populações civis de Israel, até se tornarem inócuos após a genial criação do sistema Iron Dome pelos israelenses. Mais recentemente, foram milhões de dólares desviados para a construção de túneis subterrâneos para futuros ataques dentro do território de Israel. Uma solução ainda misteriosa já permitiu que nove destes túneis fossem destruídos pelas Forças de Defesa de Israel. E milhões de dólares desviados do povo de Gaza ficaram enterrados pela eternidade.

A solução de “dois estados para dois povos” sofreu seu maior golpe quando, em 2005, Israel retirou-se de Gaza. No ano seguinte, aconteceram eleições e, logo em seguida, os terroristas do Hamas golpearam o próprio governo palestino sediado em Gaza e tomaram o poder. Os membros do Fatah, que governam os palestinos, tiveram que fugir para Ramallah e lá instalar o governo central. Racharam o povo palestino em duas facções.

Dizer que 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas onde hoje está o Estado Judeu, em 1948, e que desejam retornar aos seus antigos lares, contrasta com os direitos dos 800 mil judeus que foram expulsos dos países árabes, onde residiam há centenas de anos, após a Declaração de Independência de Israel.

Realmente, Israel é hoje “uma bolha de riqueza e bem-estar”, mas isto é fruto do trabalho e dedicação de um povo que transformou um deserto numa nação de inovações. E devemos lembrar que 2,5 milhões de árabe-israelenses pacíficos participam destes benefícios.

O que falta para implantar a paz na região é uma liderança palestina que concretize uma unidade entre os inimigos de Gaza e Cisjordânia e, logo após, explicitem a vontade de conviver em paz com o Estado de Israel.

 

Osias Wurman é cônsul honorário de Israel

oglobo.globo.com

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