A Voz de Israel calou (Kol Israel)

Publicado por Ruth Gotlib Pilderwasser em 15 de maio de 2017, Nosso Jornal – Rio de Janeiro

Kol-Israel
A apresentadora Geula Even, com lágrimas, anunciando o fim do Mabat

Depois de 80 anos, a Kol Israel, a rádio emissora de Israel, calou. Disputas políticas entre o primeiro ministro Netanyahu e o Ministro da Fazenda, Moshe Kachlon, calaram a voz que antes da criação do Estado de Israel, já era a mensagem falada do povo e do país em construção.
Quarenta após, o Canal 1 da TV israelense entrou no ar. Informar com absoluta liberdade foi sempre a meta, a administração entretanto, teve seus altos e baixos e foi alvo de críticas, com várias substituições no correr dos anos.

Democracia não existe sem imprensa livre. O direito da livre expressão é um dos itens básicos da Declaração de Independência de Israel, mas é um entrave para determinados partidos políticos que fazem da luta pela permanência no poder, toda a sua meta.

E assim, ministros da coalizão atual, decidiram criar uma nova corporação de comunicação, que substituiria a rede difusora existente.

As razões até hoje são obscuras para os cidadãos de Israel. Demitir mais de 600 profissionais, admitir mais de 400, que trabalhavam na Kol Israel na nova corporação, dividi-la em duas redes, uma de programação cultural, esportiva etc, como todos os outros canais de TV e a segunda somente de informação e os programas cognominados “atualidades ” que são geralmente entrevistas, painéis e debates políticos. Todos de alto nível.

Esta decisão do governo tem tirado o sono de muitos cidadãos, que vêm nesta atitude, uma intervenção grosseira do governo na matéria, que será transmitida nos noticiários. É mais do que um arranhão no direito de expressão.

Netanyahu, durante os últimos anos de governo, tem feito da mídia israelense o seu maior inimigo, mas qual o interesse de Kachlon, que entrou em conflito com o primeiro ministro, ameaçando a queda do governo e a antecipação das eleições?

Na semana passada, mais precisamente, na 3ª feira , 40 minutos antes do noticiário (Mabat) do horário nobre subir ao ar, a apresentadora, Geula Even recebe e lê uma comunicação de que o Mabat não seria transmitido, tudo isso em frente ás câmeras. Igualmente foram suspensas todas as programações da Kol Israel (estações de rádio ), que passaram a transmitir apenas as reportagens a cada hora e música.

Ontem, 15/5 foram iniciadas as programações da nova corporação de comunicação. Às seis da manhã, a primeira transmissão na Reshet Bet (rede 2), o noticiário de duas horas, com Arieh Golan, o mesmo jornalista e locutor que apresentava o programa na Kol Israel, com o mesmo formato.

Nos horários seguintes, também atualidades, com alguns apresentadores novos, mas conservando o mesmo estilo.

Qual foi a mudança? Por enquanto o nome, Kan e o local dos novos estudios de transmissão, que foram de Jerusalém para Modiin.

Às 17 horas, terão início as transmissões da TV, com Geula Even, que também era apresentadora na antiga rede, com um resumo das notícias importantes do dia e às 20 horas, como sempre, o noticiário do horário nobre com Geula Even. Tudo no mesmo formato.

Quando eu entender qual foi a razão desta mudança, além de um gasto fenomenal na construção de novos estúdios, contratação de novos profissionais e indenização dos despedidos, contarei

Ruth Gotlib Pilderwasser – Médica aposentada, reside em Israel, desde a década de 70, onde exerceu a sua profissão no Ministério da Saúde deste país e também atuou na política, sendo eleita como vereadora na cidade de Nathania.

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