De qual lado do muro do manicômio estamos? – por Abraham Goldstein

Artigo de nosso presidente nacional, Abraham Goldstein, no site da colunista Glorinha Cohen. Confira:

Ao vermos entidades políticas, ONGs e pessoas apoiarem os atos do Hamas ou não o considerarem terrorista, algo está fundamentalmente insano e incoerente. Pois muitos promovem, em seus discursos e programas, os Direitos Humanos, a Liberdade Religiosa e a Convivência Social de todos com todos.

Uns dias atrás, colaborei, com o Leon Knopfolz, de Curitiba, na escrita de um artigo sobre a insanidade.

O tema é muito intrigante e nos leva, sinceramente, ao acompanhar os diversos eventos e movimentos da sociedade e das instituições, a nos questionar de qual lado do muro do manicômio estamos!

Após milênios de guerras, destruições e mortes de milhões, entendemos que era um momento de realinhar o comportamento das pessoas, dos cidadãos e das autoridades dos países em defesa de uma sociedade voltada para a PAZ e à CONVIVÊNCIA PACÍFICA, almejando o progresso, o aumento do bem-estar e o tempo de lazer.

Inclusive nos questionávamos, antes de chegar a este ponto, o que poderíamos e deveríamos fazer para nos manter ocupados e felizes.

O Ocidente, cansado de destruir-se e com receio da capacidade das novas armas, como a bomba atômica, cria uma organização denominada Nações Unidas com o objetivo de evitar novas guerras e ajudar os seres humanos das mais diferentes populações e locais a encontrarem um equilíbrio que lhes permita viver em PAZ.

Ainda no calor da Segunda Guerra Mundial, em 1947, revela-se ao mundo um documento longamente esperado pelos que acreditam na humanidade e seu futuro: DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS.

Em paralelo, acreditamos que não poderíamos manter a informação apenas nas mãos dos mandatários e desenvolvemos tecnologias que permitem a transmissão farta, simples e de baixíssimo custo a todos. Iniciativas estas todas justificáveis e de imenso valor para toda a humanidade. Se esta humanidade fosse composta exclusivamente, ou absolutamente de forma majoritária, por pessoas sadias. Sadias mentalmente, sadias no seu comportamento e sadias em seus objetivos.

Mas a realidade mostrou-se diferente do planejado.

A facilidade apresentada pelas comunicações aumentou de forma hiperbólica a demanda de tempo dos cidadãos. E o tempo livre foi desaparecendo. As ferramentas atuais e os rápidos impactos econômicos e financeiros afetam a vida de todos criando uma instabilidade muito grande em tudo e a todos. Na linha da liberdade de expressão e de pensamento, tão procurada pelo Ocidente, a proliferação de informações, tanto verdadeiras como não, nos leva a um ambiente de insegurança e desafios crescentes. E isto tem sido usado amplamente pelos que querem impor a sua versão distorcida dos fatos sem preocupar-se em provar o que dizem. Apenas divulgam no anonimato do sistema e muita gente, sem questionar, acredita e repassa.

Em quem acreditar? Nos governos, nas instituições independentes, na imprensa, nas pessoas em geral ou apenas nas que conhecemos?

Este cenário de incertezas nos conduz à beira da insanidade… e o que fazer? Acreditar em quem e no quê? Ou o melhor a fazer é alienar-se, distanciar-se, negar a sua condição de preocupação com a humanidade e seu futuro?

Contudo, nada disto resolve…

Devemos reconhecer que FALHAMOS. Falhamos ao não reconhecer que o mundo é composto por diferentes culturas que estão fortemente enraizadas e que a cultura da democracia ocidental e seus “jeans e coca-colas” não conseguiriam sensibilizar e “converter” a todos.

FALHAMOS ao não reconhecer que deveríamos nos educar e preparar para conviver com um mundo “bombardeado” por mensagens de baixo custo e, majoritariamente, de valor questionável.

FALHAMOS ao não reconhecer, em tempo, que culturas, diferentes da proposta pelo Ocidente, iriam reagir. Iriam se organizar e agir de forma a se defender e se manter, seja a que custo for.

FALHAMOS também, apesar dos esforços, em eliminar do nosso convívio valores negativos que nos levaram a tantas destruições, como a discriminação, o racismo, o antissemitismo e a separação entre o nós e eles, além do desequilíbrio na educação, nas riquezas e no bem-estar.

Mas nada disto justifica e explica a simpatia, o apoio e o comportamento, seja qual for a linha política, religiosa, étnica e histórica de preferência, de qualquer ser humano, pelo comportamento sanguinário, desumano que beira a loucura, praticado pelos TERRORISTAS do HAMAS no último dia 7 de outubro ao invadir o Estado de Israel. Não se relativiza a barbárie. Não se pode, considerando-se um ser humano, aceitar o acontecido, seja qual for o argumento histórico, e ainda desconsiderar o sequestro de mais de 200 pessoas – jovens, idosos e crianças de várias nacionalidades – num dia de Shabat às vesperas de Simhat Torá.

Difícil entender quando reitores e presidentes de renomadas instituições mantêm-se calados, omissos diante dos fatos, e não se manifestam contra as agressões dos terroristas do Hamas permitindo que os seus alunos, educadores e insufladores promovam apoio aos atos praticados, chamando de resistência aos sanguinários que, em momento algum, desde a sua fundação, permitem ou aceitam qualquer entendimento com Israel, os judeus e com quem não siga a religião muçulmana.

Ao vermos entidades políticas, ONGs e pessoas apoiarem os atos do Hamas ou não o considerarem terrorista, algo está fundamentalmente insano e incoerente. Pois muitos promovem, em seus discursos e programas, os Direitos Humanos, a Liberdade Religiosa e a Convivência Social de todos com todos. Seriam sinceros ou apenas oportunistas? Será apenas o velho antissemitismo em roupagem de antissionismo? Ou será a conveniente oportunidade de se posicionar contra os Estados Unidos e seus aliados, no caso, Israel? Pois, para muitos, de diversas frentes, o que vale é alcançar o objetivo sem incomodar-se com os métodos para alcançá-los.

Abraham Goldstein é presidente nacional da B´nai B´rith Brasil

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