“A ameaça radical”

Rodrigo Jalloul, o mais graduado xeque xiita brasileiro, afirma que não existe islamofobia no Brasil, mas alerta que isso pode mudar com o crescimento da pregação extremista entre os recém-convertidos no país. Perguntado, em entrevista à Veja, se já teria barrado algum brasileiro que queria se converter ao islamismo, ele respondeu: “Sim, duas vezes. Um deles queria ser muçulmano por ódio aos cristãos e aos “malditos judeus”, como ele dizia”. “Respondi que aquilo era uma tolice e que muçulmanos, cristãos e judeus são um povo só”. “Disse a ele que para ser muçulmano é preciso crer também no cristianismo e no judaísmo”. “Não é possível ser muçulmano sem aceitar os profetas Jesus e Moisés”. “Se uma pessoa já chega amaldiçoando os judeus e os cristãos, como pode aceitar o Islã? Mandei-o embora”. “Alguns xeques erram em focar muito a política e pouco a religião. Eles dizem abertamente que os xiitas são hereges e malditos. Os brasileiros que se convertem não conhecem a história da religião e acabam caindo nessa farsa. A radicalização dos muçulmanos brasileiros deve-se ao excesso de informação disponível, mas sem um filtro adequado.

Certa vez, encontrei uma muçulmana sunita na porta da mesquita do Brás e convidei-a para entrar. Ela se recusou, pois um xeque sunita lhe havia dito que se tratava de um lugar maldito. Era uma jovem normal, mas com uma visão totalmente radicalizada da religião. O wahabismo e o salafismo, que são as subcategorias mais radicais do sunismo, têm se manifestado de modo muito forte no Brasil. Isso é uma ameaça. A radicalização que afeta jovens na Europa também está acontecendo no Brasil. Todo cuidado é pouco”, alertou. O paulistano Rodrigo Jalloul se converteu aos 18 anos e mudou-se três anos depois para o santuário iraniano de Qom, onde são formados os principais líderes do xiismo. Em entrevista à Folha, em 2011 (veja link abaixo) ele disse que queria se tornar clérigo para ajudar a difundir o islã xiita no Brasil. Leia mais em:  Leonardo Coutinho, Veja/Conib

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