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XIX Jornada Interdisciplinar de Ensino do Holocausto e Direitos Humanos, promovida pela B’nai B’rith Rio de Janeiro

Artigo do Prof. Dr. Jorge Nascimento Ferradeira – Historiador e estudioso da memória e da História

Leia o artigo na íntegra sobre o encerramento da XIX Jornada Interdisciplinar de Ensino do Holocausto e Direitos Humanos, promovida pela B’nai B’rith Rio de Janeiro nos dias 26 e 27 de agosto de 2026.

O texto reflete sobre memória, Justiça, ciência e o compromisso com a dignidade humana.

A desembargadora Denise Levy Tredler, membro da B’nai B’rith, coordenou e organizou o encontro.

No registro do encerramento, Denise aparece entre Israel Christof, presidente da B’nai B’rith Rio, e o Prof. Dr. Jorge Nascimento Ferradeira.

Também estão na foto o médico geneticista Dr. Antônio Abílio Santa Rosa, o psicólogo e professor da UFRJ Sócrates Nolasco e Zeila Sliozbergas, também membro da B’nai B’rith.

Veja na galeria de imagem o artigo  ou leia mais abaixo em texto.

ENCERRAMENTO DO ENCONTRO SOBRE O HOLOCAUSTO NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Memória, Justiça, Ciência e o compromisso permanente com a dignidade humana

O encerramento do encontro sobre o Holocausto, realizado no Tribunal de Justiça, deixou uma imagem que ultrapassa o simples registro fotográfico. Reunidos naquele espaço estavam representantes da Justiça, da comunidade judaica, da ciência e da universidade — diferentes campos do conhecimento unidos pela responsabilidade de preservar a memória e refletir sobre um dos maiores crimes da história da humanidade.

A fotografia registra, ao lado do Professor e Doutor Jorge Nascimento Ferradeira, a Desembargadora Denise, o geneticista Antônio Abílio Santa Rosa, o vice-presidente da organização judaica que patrocinou o encontro, instituição de longa tradição histórica, e um professor de Psicologia da UFRJ, participante da mesa de encerramento.

Mais do que uma fotografia institucional, este momento simboliza a convergência de saberes. O Holocausto não pode ser compreendido apenas pela História. É necessário examiná-lo também sob a perspectiva da Justiça, da Psicologia, da Genética, da sociologia, da educação e, sobretudo, da condição humana.

Falar sobre o Holocausto significa recordar milhões de vidas destruídas pela perseguição, pelo racismo de Estado, pela desumanização e pelo extermínio sistemático. Mas significa igualmente compreender como sociedades inteiras podem ser conduzidas à indiferença diante do sofrimento do outro.

É nesse ponto que a presença do Tribunal de Justiça adquire um significado especial. A Justiça não é apenas uma instituição que julga fatos do passado ou do presente. Ela representa também um dos pilares da civilização: a afirmação de que a dignidade humana não pode depender de origem, religião, nacionalidade, condição social ou qualquer outra circunstância.

A participação da ciência acrescenta outra dimensão. A genética, por exemplo, pode contribuir para compreender a diversidade humana e desmontar falsas teorias de superioridade racial que foram utilizadas como instrumentos ideológicos para justificar perseguições e assassinatos. A Psicologia, por sua vez, ajuda a investigar os mecanismos da intolerância, da obediência, do preconceito, da propaganda e da transformação do indivíduo em objeto de ódio.

Para um estudioso da História, participar de um encontro dessa natureza representa mais do que assistir a palestras. É assumir uma responsabilidade. A memória só permanece viva quando é estudada, discutida, transmitida às novas gerações e transformada em consciência.

Ao olhar para esta fotografia, vejo pessoas de diferentes formações reunidas por uma mesma preocupação: impedir que o esquecimento apague as lições do passado. O Holocausto terminou historicamente, mas sua advertência continua presente.

Por isso, o encerramento não deve ser entendido como o fim de uma reflexão. É, ao contrário, um ponto de partida. Cada participante leva consigo a obrigação de transformar conhecimento em testemunho, testemunho em educação e educação em defesa da dignidade humana.

A fotografia permanecerá como memória daquele encontro. Mas seu verdadeiro significado está além da imagem: está na certeza de que recordar é um ato de responsabilidade.

O Holocausto não pode ser reduzido a uma página de um livro de História. É uma advertência permanente à humanidade.

Lembrar para compreender. Compreender para ensinar. Ensinar para que jamais se repita.

Professor e Doutor Jorge Nascimento Ferradeira
Historiador e estudioso da memória e da História

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