O antissemitismo na Grã-Bretanha está tão ruim que muitos judeus planejam deixar o país

Mark Lewis, um famoso advogado atuante contra a difamação e pela privacidade, está deixando a Grã-Bretanha. Conhecido por representar vítimas de hackers, desgastado por anos de abuso antissemita e ameaças de morte, Lewis decidiu que basta.

Aos 53 anos planeja começar uma nova vida em Israel com sua parceira, Mandy Blumenthal, até o final do ano. Ambos nasceram e foram criados na Inglaterra.
“Eu só quero ir embora daqui. É algo imenso para se fazer, mas eu já tive o suficiente”, disse Lewis. “As pessoas podem não gostar de mim em Israel por causa de minhas opiniões políticas, podem pensar que sou muito de direita ou de esquerda ou qualquer outra coisa, mas não vão me rejeitar por ser judeu”.

Duas pessoas já foram presas por ameaçar assassiná-lo por ser judeu, disse Lewis, que se tornou quase insensível às ameaças tal é a sua regularidade.
A decisão do casal vem com as acusações de antissemitismo do principal partido de oposição da Grã-Bretanha e seu líder, Jeremy Corbyn. Ao mesmo tempo, os incidentes antissemitas registrados estão próximos de níveis recordes.

Lewis vê Corbyn como um catalisador do antissemitismo em vez de uma ameaça em si mesmo, dizendo que o líder trabalhista “moveu a rocha e são as pessoas que estão rastejando por debaixo dela que constituem o problema”. Como figura pública e proeminente voz pró-Israel, Lewis é um alvo fácil de abuso nas mídias sociais.

O Community Security Trust (CST), uma instituição de caridade que luta contra o antissemitismo, registrou 727 incidentes antissemitas nos primeiros seis meses de 2018, o segundo maior total já marcado para o primeiro semestre do ano desde que o CST iniciou estes registros, perdendo apenas pra o mesmo período do ano passado.

O clima atual abalou a comunidade judaica britânica de cerca de 300.000 pessoas.

Desde que o Reino Unido recebeu cerca de 90.000 judeus do continente europeu à medida que a Segunda Guerra Mundial se aproximava, foi considerado um dos lugares mais seguros do mundo para os judeus viverem. “Estamos vendo pessoas realmente saindo, não apenas para Israel, mas também para os Estados Unidos e Canadá – e a Austrália também é um destino”, disse Gideon Falter, presidente do conselho do CST.

CNN | edition.cnn.com


Membros da comunidade judaica protestam contra o líder do
Partido Trabalhista Britânico, Jeremy Corbyn, em março.

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