Israel lança método revolucionário de monitoramento do racismo na Internet

O Ministério da Diáspora apresentou no domingo ao gabinete um novo sistema de monitoramento do antissemitismo na Internet, juntamente com seu relatório anual sobre o antissemitismo em todo o mundo. De acordo com o relatório, 2016 registou um número recorde de incidentes antissemitas na Alemanha, em parte devido à crise dos refugiados e à melhoria da qualidade dos relatórios. Dados da polícia federal mostram que entre janeiro e setembro de 2016, 461 incidentes antissemitas foram relatados, o que representa um aumento de 200% em relação a 2015, com a maioria dos incidentes relacionados ao fortalecimento dos movimentos de extrema-direita. Além disso, o relatório mostra que o discurso antissemita na Grã-Bretanha atingiu níveis preocupantes e entrou na política. Cinquenta membros do Partido Trabalhista foram suspensos, nos últimos anos, por comentários antissemitas e racistas. Isso inclui membros do rank-and-file e altos funcionários, como o ex-prefeito de Londres e MP Ken Livingstone, que disse que “Hitler foi apoiado pelo sionismo.” O relatório apontou para a reescrita da história na Europa Oriental, onde as autoridades locais não estão agindo para travar o antissemitismo em seus países. A ministra polonesa da Educação, Anna Zalewska, disse numa entrevista em julho passado que, historicamente, os documentados massacres poloneses de judeus durante o Holocausto são apenas “opiniões tendenciosas.” No entanto, uma tendência positiva foi observada na França, que registou uma diminuição de 65% em incidentes antissemitas e um reforço da sensação de segurança nas comunidades judaicas. Isto deve-se em grande parte aos esforços concentrados do governo francês para “combater o racismo e o antissemitismo”. O relatório também observa que as recentes tendências de radicalização tanto entre a esquerda como a direita produziram sentimentos hostis em relação às comunidades judaicas.

Grande parte do relatório trata da incitação antissemita pela Autoridade Palestina, que está sistematicamente usando narrativas religiosas antissemitas para promover o ódio a judeus e israelenses entre os palestinos. Uma das declarações identificadas se deu a partir de um discurso do presidente Mahmoud Abbas, feito no Parlamento da UE em junho, no qual ele disse que “rabinos israelenses exigiram que o governo colocasse veneno no abastecimento de água para matar palestinos e forçá-los a emigrar.”

O novo sistema para identificar o antissemitismo na Internet em tempo real foi desenvolvido por uma empresa administrada e com pessoal composto por ex-membros de unidades de tecnologia militar israelense e inteligência da IDF. O sistema baseado em Inteligência artificial é capaz de detalhar quantos posts e mensagens antissemitas estão circulando atualmente e quais países e áreas contêm o maior volume de tráfego antissemita. Fornece informações significativas sobre os posts e os usuários. Até agora, conduziu uma demonstração piloto bem-sucedida e identificou mais de 500 mil postagens, que atingiram mais de 40 milhões de pessoas.

Veja também

Federação Israelita do Estado de São Paulo repudia vinda do Aiatolá Mohsen Araki ao Brasil

A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), entidade que representa a comunidade judaica …