Hamas concorda com o cessar-fogo “gradual”

Uma fonte do Hamas teria confirmado que a liderança do grupo concordou com um cessar-fogo “gradual” com Israel, que começaria com a interrupção de ataques incendiários e outras violências ao longo da fronteira de Gaza, em troca de restrições à fronteira.

A fonte do Hamas, divulgada nesta segunda-feira pelo jornal Asharq al-Awsat, de Londres, disse que a primeira etapa da implementação do acordo de cessar-fogo de longo prazo mediado pelo Egito permitiria a Israel reabrir totalmente a travessia de mercadorias de Kerem Shalom e aumentar a zona de pesca ao largo da costa de Gaza. Em troca, a autoridade do Hamas disse que os governantes da Faixa se comprometem a interromper todos os ataques contra Israel.

Em um esforço para chegar a um consenso sobre o acordo, autoridades do Hamas atualizaram representantes de outras facções na Faixa quanto aos detalhes do acordo, disse a fonte, no que confirmaria partes de um relatório de sexta-feira no noticiário da TV israelense Hadashot.

A segunda fase incluiria as negociações Hamas-Israel para um acordo de troca de prisioneiros e a implementação de projetos humanitários há muito propostos em Gaza. O relatório chegou um dia depois que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se reuniu com o gabinete de segurança para discutir a proposta. A reunião de várias horas teria terminado sem conclusões claras.

O vice-chefe do Politburo do Hamas, Saleh al-Arouri, chegou à Faixa de Gaza na quinta-feira com outros líderes do Hamas para conversações com a liderança local que se concentraram na trégua e nos esforços de reconciliação com a Autoridade Palestina, relata a mídia.

De acordo com o relatório Hadashot de sexta-feira, a segunda fase do acordo seria um acordo entre o Hamas e a Autoridade Palestina, sob o qual a AP assumiria o controle da Faixa de Gaza sob os auspícios do Egito. Não está claro como isso poderia ser conciliado com a recusa do Hamas em renunciar ao seu armamento – postura prejudicial aos esforços anteriores de reconciliação Fatah-Hamas.

Em troca, a Autoridade Palestina continuaria a pagar seus funcionários em Gaza, cujos salários foram retidos, segundo o relatório Hadashot. A segunda fase também esboça um roteiro para as eleições a serem realizadas em Gaza dentro de seis meses.

Uma terceira fase implementaria projetos humanitários há muito propostos, como o estabelecimento de um porto no Sinai, no Egito, que serviria a Gaza.

A última fase, segundo Hadashot, seria um acordo de cessar fogo de cinco a dez anos com Israel, que incluiria negociações para o retorno dos cidadãos israelenses e restos de soldados da IDF mantidos pelo Hamas em Gaza. Mas, para isso o Hamás exige que Israel liberte terroristas detidos em suas prisões, o que o país não deseja fazer.

Esses detalhes não foram confirmados pela fonte do Hamas citada no relatório Asharq al-Awsat desta segunda-feira.

Autoridades israelenses disseram anteriormente que Israel não concordaria com um acordo permanente com o Hamas que não inclua negociações imediatas para devolver os cidadãos israelenses e os restos de soldados israelenses mantidos em Gaza. Mas no domingo, Netanyahu afirmou que uma possível trégua em Gaza não incluiria tal provisão.

Famílias de Oron Shaul e Hadar Goldin, dois soldados israelenses mortos em ação em 2014, cujos restos mortais estão nas mãos do Hamas, acusaram o governo de Netanyahu de não incluir o retorno dos corpos de seus filhos como condição para o acordo.

As famílias de Goldin, Shaul e civis Avera Mengistu e Jumaa Ibrahim Abu Ghanima – que se acredita serem detidos pelo Hamas depois de entrarem em Gaza por sua própria vontade – realizaram um protesto em frente ao Gabinete do Primeiro Ministro enquanto a reunião de gabinete do domingo estava ocorrendo.

Enquanto isso, moradores de Gaza continuavam lançando pipas e balões incendiários através da fronteira para Israel.

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