Guilherme Casarões e André Lajt explicam os paradoxos do processo de paz israelo-palestino, em evento na B’nai B’rith São Paulo

Na noite desta quarta-feira, 7 de dezembro, André Lajt e Guilherme Casarões deram uma verdadeira aula sobre Oriente Médio, na B’nai B’rith São Paulo. A presidente da entidade, Zeila Sliozbergas apresentou as atividades realizadas em 2016, sendo muito aplaudida.

Deu as boas vindas aos dois painelistas que discorreram sobre o tema Paradoxos do Processo de Paz Israelo-palestino, sendo mediados por Geraldo Cohen.

André analisou as diversas fases do processo de paz, destacando como os fatores fundamentais do conflito são vistos de maneira diferente por israelenses e palestinos. São eles: fronteiras, assentamentos, Jerusalém e refugiados.

Um dos aspectos de difícil solução é o do Monte do Templo. Para os palestinos, uma vez obtida a paz, deixam de ter um papel preponderante no mundo árabe. Mas, se possuírem a terceira mesquita mais importante para os muçulmanos, ou seja, Al- Aksa poderiam sobressair em meio a países ricos e poderosos. O problema é que o Monte do Templo, fundamental para os judeus, situa-se no mesmo local.

O painelista mostrou em mapas, as áreas envolvidas e as diversas soluções possíveis, caso os dois lados mudasse de atitude, Em sua opinião, Israel deveria liderar o processo de paz, apresentando uma proposta, aceitável aos palestinos. Assim passaria a questão para eles e se livraria da pecha que cada vez mais o mundo lhe impinge.

Guilherme teve como foco o Brasil e a América Latina no conflito, detalhando o relacionamento entre o Brasil e Israel, a começar pelo importante papel do chanceler Oswaldo Aranha, na criação do Estado de Israel. A mudança ocorreu em 1972, quando o general Ernesto Geisel alinhou a política brasileira à do Terceiro Mundo, favorável aos palestinos. O pior foi o apoio do Brasil a moção que equiparou sionismo a racismo, apresentada pelos países árabes e do terceiro Mundo. Chegou à atualidade, com os casos conhecidos por todos, finalizando com o voto contra Israel, na UNESCO. Foi enfático ao dizer que os judeus precisam expressar de forma mais eloquente, seja o seu repúdio ou o seu agrado.

Tendo em vista a incógnita em relação a política internacional de Trump e a ascensão de governos nacionalistas na Europa, levando ao enfraquecimento do Quarteto, tradicional mediador do conflito, abrem-se novas oportunidades para a América Latina e em especial o Brasil participar, do processo paz israelo-palestino. Neste sentido, o papel das comunidades judaicas reveste-se de grande importância, destacou.

O público fez inúmeras perguntas. Entre os presentes, o casal Irene e Abraham Goldstein, presidente nacional da B’nai B’rith.

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