Expectativas e desafios crescem para as mulheres do mundo

No início deste novo ano, um tom de otimismo cauteloso está surgindo por parte de líderes, ativistas e defensoras das mulheres que estão antecipando novos e grandes passos à medida que as “questões das mulheres” se tornam globais.

“As questões das mulheres são questões mundiais”, disse recentemente Michelle Bachelet, diretora-executiva da ONU Mulheres e ex-presidente do Chile. “Hoje há uma consciência maior do que nunca de que a participação plena das mulheres é essencial para a paz, a democracia e o desenvolvimento sustentável.”

Em 2013, as mulheres que encontram soluções reais e usam sua liderança para capacitar outras subirão ao palco internacional, em número cada vez maior – e não porque são mulheres. “Acredito que essas mulheres são a vanguarda de uma nova era de liderança global.”

Uma visão universal parece estar em andamento: eleger mais mulheres como chefes de Estado e de Governo (há apenas 21 em todo o mundo) e para os parlamentos, e promover mais mulheres para os conselhos de administração e cargos executivos; avançar e empoderar mulheres no mundo desenvolvido e em desenvolvimento; diminuir a diferença salarial entre gêneros e melhorar as condições de trabalho.

 Enquanto isso, a violência contra as mulheres, foco central da agenda da ONU Mulheres, explodiu como uma questão mundial.

“Em alguns países, até sete em cada dez mulheres serão espancadas, estupradas, abusadas ou mutiladas durante suas vidas”, disse Bachelet. “Não pode haver nenhuma paz, nenhum progresso, quando as mulheres vivem com medo da violência.”

Na verdade, Malala Yousafzai, a estudante paquistanesa baleada por talibãs depois de falar em nome da educação para meninas, tornou-se um símbolo mundial, renovando esforços para proteger estudantes meninas em sociedades patriarcais extremas.

Índia, a maior democracia do mundo, foi alertada de que as mulheres não ficarão mais em silêncio. Milhares de pessoas se juntaram às manifestantes mulheres contra o governo e a forma como a polícia trata os casos de estupro e contra a insensibilidade para com as mulheres em geral.

Grandes protestos contra um estupro coletivo fatal se tornaram notícia de primeira página no mundo todo, e os manifestantes, liderados por mulheres, exigiram leis mais fortes contra o estupro, assédio sexual e abuso infantil.

Com a globalização das questões femininas, as organizações mundiais estão angariando apoio de ativistas de todo o mundo, de nomes conhecidos e celebridades.

Na primeira conferência da Trust Women, convocada pela Thomson Reuters Foundation e o International Herald Tribune, em Londres, em dezembro, participantes e palestrantes – da Rainha Noor da Jordânia à modelo Christy Turlington – debateram questões complexas como a escravidão sexual, o casamento infantil e o papel das mulheres no mundo árabe.

Separadamente, as mulheres da World Foundation, que realizarão sua quarta conferência anual em Nova York em abril, anunciaram que um apelo para angariar fundos em nome de Yousafzai havia recolhido mais de US$ 100 mil em doações que a fundação disse que destinaria à educação de meninas no Paquistão e no Afeganistão.

Assumindo outro grande problema, a Catalyst, uma organização apartidária para o avanço das mulheres no mundo dos negócios, está dando início a um plano para conseguir mais mulheres no topo das empresas. “Esperamos que 2013 seja o ano em que haja um impulso para as mulheres na liderança”, disse por e-mail Ilene H. Lang, presidente e executiva-chefe do Catalyst. “Os conselhos das empresas são nossa prioridade.”

As mulheres ocupam apenas 16,6% das altas posições na Fortune 500. Para ajudar a fechar essa lacuna de gênero, a Catalyst planeja listar executivos que apoiam mulheres para posições de liderança.

Na Europa, Viviane Reding, a comissária para a Justiça, está liderando outro grande impulso para as mulheres nos conselhos empresariais. Ativistas aliados produziram um registo de milhares de mulheres aptas a altos cargos para contrariar os argumentos de que há uma escassez de candidatas qualificadas.

Um grande impulso para as mulheres norte-americanas veio com o número recorde de mulheres (20) que conquistaram cadeiras no Senado dos EUA. O antigo lema “Ano da Mulher” foi renovado, como um novo impulso na campanha para eleger uma mulher presidente em 2016.

Não é nenhuma novidade que Hillary Rodham Clinton – que está se recuperando de um coágulo no sangue e outras doenças – seja a favorita indiscutível do partido Democrata. Mas também foram citados os nomes de senadoras democratas como Kirsten E. Gillibrand de Nova York e da recém-eleita Elizabeth Warren, de Massachusetts.

Questões familiares como a igualdade de salários, políticas de trabalho, equilíbrio entre trabalho e família e poder político não desapareceram nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar. Necessidades básicas e direitos fundamentais ainda escapam de muitas mulheres no mundo em desenvolvimento. E essas questões, também, não desaparecerão tão cedo.

Mas cada vez mais mulheres de mais regiões do mundo estão se levantando e vivendo vidas melhores, e quase todo mundo que trabalha nessa área concorda. E à medida que as antigas questões das mulheres se tornam globais, as expectativas crescem e os desafios se tornam maiores.

  Tradutor: Eloise De Vylder

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