Concurso Fábio Dorf

Concurso Fábio Dorf de Fotografia e Redação

Lançado em 2001 pela então presidente da B´nai B´rith do Brasil Edda Bergmann, o Concurso Fábio Dorf de Redação, já se tornou uma tradição para as escolas judaicas de educação formal de todo o País.

Seu objetivo é levar à sala de aula a reflexão sobre temas candentes ligados a Direitos Humanos, ao judaísmo e ao povo judeu.

Tem este nome em homenagem constante ao jovem Fabio Dorf, filho do casal Jacob e Matty Dorf, membros muito ativos de nossa entidade, o qual veio a nos deixar muito prematuramente num acidente.Todos os anos, o casal Dorf doa o prêmio para o primeiro colocado.

Fábio Dorf: exemplo de jovem comprometido com o povo judeu

Fábio Dorf nasceu em 21 de março de 1975 e faleceu aos 25 anos, no dia 21 de junho de 2000 na Nova Zelândia,em um acidente de moto.

Os seus estudos de 1º. e 2º. Graus (Ensino Fundamental e Médio) foram realizados no Colégio I. L. Peretz. Em 1998, concluiu o curso de Comunicação Social na FAAP – Faculdades Armando Álvares Penteado.

Foi vencedor do 8º. Fest-Up  – Concurso Universitário de Propaganda tirando o 1º. e o 2º. lugar em 1997 e 1998. Em 1999, conquistou o Prêmio Prata de Colunistas de SãoPaulo.

Filho do casal Matty e Jacob Dorf, membros da Loja Horácio Lafer da B´nai B´rith de São Paulo, colaborou na elaboração do material de divulgação da exposição de mesas decoradas da entidade, intitulada “Beleza se põe na Mesa” .

Participou do Grupo Universitário da B´nai B´rith, que depois recebeu o nome de Grupo Fábio Dorf.

Seus pais decidiram que um prêmio que ele recebeu, infelizmente tarde demais,  por um concurso que vencera, seria entregue ao primeiro colocado do recém criado concurso Fábio Dorf, em 2002.

Em um gesto que emociona e engrandece toda a B`nai B´rith,  o casal Matty e Jacob Dorf tem sido responsável pelo prêmio entregue ao vencedor do Concurso que leva o nome de Fábio Dorf  em homenagem a este jovem  batalhador e atuante na comunidade judaica, como exemplo de vida e de compromisso com o povo judeu.

 

 

Premiação 2012 

Muita alegria marcou a premiação do Concurso Fábio Dorf 2012, no último dia 22 de novembro. Alunos das principais escolas judaicas do país concorreram com fotografias e redações sobre o tema: Educação contra a Discriminação e Defesa dos Direitos Humanos nos últimos 80 anos.

A mesa diretora dos trabalhos foi composta pelo presidente da B’nai B’rith do Brasil, Abraham Goldstein, vice-presidente institucional da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Alberto Milkewitz, vice-presidente nacional da B´nai B´rith do Brasil (Região Centro-Sul), Edgar Lagus e o presidente da B’nai B’rith de São Paulo, Saul Skolnik.

O Concurso mescla fotografia e redação e o tema foi abordado com grande criatividade e sensibilidade encantando quem viu a Exposição de todos os trabalhos, que também foram entregues em CD aos presentes.

A qualidade dos trabalhos foi elogiada por Abraham Goldstein, que destacou a importância do envolvimento de professores e alunos para o sucesso da iniciativa, promovida pela B’nai B’ rith há 11 anos, e a relação do tema com os  80 anos de fundação da B’nai B’rith no Brasil celebrados em 2012.

O Concurso teve a coordenação de Lia Bergmann e a Comissão Julgadora foi composta por:      Ernesto Strauss, diretor cultural da B’nai B’rith, Daniel Douek, coordenador do Fórum 18 da B’nai B’rith, Gisele Valdstein, ex-presidente da B’nai B’rith de São Paulo e Abraham Goldstein, presidente nacional.

O anúncio dos nomes dos vencedores foi motivo de festa dos colegas que abrilhantaram a noite.

Os segundos colocados em cada categoria receberam um IPOD Nano, e os primeiros, um IPAD. As escolas ganharam livros para suas bibliotecas e os professores certificados especiais.

O vencedor do 1º. lugar do Ensino Fundamental II foi Mathias Scherer, do 8º. Ano do Ensino Fundamental da Escola Antonietta e Leon Feffer, com o trabalho “Educação para pessoas mais humanas”, sob orientação da profa. Daniela Levy. No 2º. lugar do Ensino Fundamental II houve um empate entre Gabriel Lerner, da Escola Antonietta e Leon Feffer e Gabriela Matone Ejchel, do Colégio I. L. Peretz, ambos do 8º. Ano do Ensino Fundamental II, orientados respectivamente pelas profas Daniela Levy e Marli Raichel Ben Moshe.

O 1º. lugar do Ensino Médio foi conquistado por Sharon Rosenberg, 1º. Ano do Ensino Médio e Samy Judkiewicz, 2º. Ano do Ensino Médio, ambos do Colégio Iavne Beit Chinuch, com as redações Direitos iguais, pessoas diferentes e A chama ainda arde, orientados pelas profas. Ana Marta e Graciete. O 2º. lugar do Ensino Médio ficou com Fredy Efraim Dayan, do 2º. Ano do Ensino Médio do Colégio Iavne Beit Chinuch.

Parabéns a todos os participantes pela dedicação e pelos excelentes trabalhos.

Na ocasião, os alunos leram as redações premiadas. Abaixo estão as dos primeiros colocados. Vale a pena ler e aprender.

Educação para pessoas mais humanas

Matias Scherer

Qual a relação que uma folha de papel amassada pode ter com a discriminação e o desrespeito aos direitos do homem? Como algo tão inofensivo e presente no cotidiano pode servir de metáfora a um problema tão grande e real atualmente?

Imagine que alguém ou um grupo que tenha sofrido preconceito fosse a folha. Um dia, ela já fora lisa, como uma pessoa que tem direitos e obrigações iguais a todos a sua volta. Mas quando a amassam demais, por muito tempo e intensidade, quanto mais a pessoa sofre essa desigualdade arbitrária, mais se torna difícil reverter essa situação, apagar as marcas do passado e fazê-la voltar ao normal.

O preconceito, através de discriminação a uma raça, etnia, cor, religião ou a qualquer outro grupo com uma característica distintiva, infiltra-se na mentalidade da pessoa e ela própria passa a acreditar no que se diz dela, aceitar as condições que lhe impõem e a abrir mão do que deveria ter de fazer, às vezes, sem nem mesmo ter a consciência dessa falta.

A única maneira de acabar com isso, é cortando o mal pela raiz, ou seja, mudando a mentalidade de “crer-se superior a quem é diferente” de cada um, que leva a atos ofensivos. O único meio para que isso aconteça é a educação, seja formal, por meio das escolas e universidades, ou informal, por meio de sindicatos, movimentos juvenis, estudantis etc. Mesmo assim, é um longo processo que leva gerações para fazer efeito, tanto para os descendentes daqueles que danificaram o papel, quanto para os descendentes daquele que foi desrespeitado.

É um processo que deve englobar a educação em todos os aspectos dos direitos humanos, aqueles que dizem respeito ao bem-estar social, individual e ambiental, lembrando que todos devem ser acompanhados de deveres, já que não é possível ter um sem ter o outro. Com um ensino direcionado para o respeito, para o entendimento e para a coexistência ao longo dos anos, vamos criar um planeta mais justo, igual e sustentável para todos.

Por toda a história, muitos regimes políticos e organizações populares se formaram embasados nessa ignorância e muitos eventos violentos ocorreram por conta dessa mentalidade já mencionada, que nada de bom pode render.

Ao considerarmos que alguém como Hitler, um homem de caráter assumidamente discriminatório subiu ao poder de seu país democraticamente há cerca de oitenta anos, é possível perceber vários avanços de lá até os dias de hoje, send

talvez o principal deles, a Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pela ONU em 1948. Por tudo isso, a palavra do momento continua a ser mudança e, cada vez mais, para que muito mais seja feito nos oitenta anos que ainda estão por vir.

 

Direitos iguais, pessoas diferentes

Samy Judkiewicz

São Paulo, 1 de Setembro de 2012

“Posso não concordar com nenhuma palavra que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” – Voltaire

À humanidade,

Muito se pergunta sobre como podemos moldar uma sociedade na qual todos somos iguais, todavia, antes deveríamos nos perguntar sobre como nos moldarmos para que possamos conviver numa sociedade igualitária, visto que o homem é responsável pela sociedade e não o contrário. Contudo, como fazer isso se ainda necessitamos subjugar o próximo para que possamos obter destaque em uma sociedade tão competitiva?

Ao contrário dos outros animais, nós não somos divididos em espécies, somos humanos. Diferenças, claro, existem; porém é impossível que seja diferente, pois não somos robôs, acreditamos em coisas diferentes, gostamos de coisas diferentes, somos diferentes, contudo, devemos ser tratados da mesma forma: com respeito.

Portanto, para que isso se torne possível, precisamos parar de enxergar o mundo por meio de uma visão rígida e muito ultrapassada, na qual só pode haver vencedor com um outro sendo derrotado. A vida não é uma guerra, o outro não é o seu inimigo e, portanto, ele, assim como você, tem direitos. Esses direitos, também conhecidos como direitos humanos, que deveriam ser algo natural, são constantemente desrespeitados, colocados de lado por aqueles que maltratam o próximo e por aqueles que observam e não fazem nada, porque não é com eles. Albert Einstein já dizia: “o mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam acontecer”.

Os direitos humanos foram estipulados por lei há muito tempo, mas isso não impediu que eles fossem descumpridos. Somente a criação dessas leis não é suficiente para mudar a mentalidade e a atitude das pessoas, pois a intolerância tem, na maioria das vezes, origem no medo: medo do desconhecido, do diferente, do outro, levando a atitudes irracionais. Esses medos têm como base a ignorância, deixando a pessoa mais suscetível a manipuladores que a induzem a esse preconceito. Para que isso não ocorra, deve haver uma conscientização de modo que haja o real conhecimento do até então desconhecido, formando-se um conceito verdadeiro e não baseado em estereótipos e suposições.

Para que possamos viver em harmonia na sociedade, devemos começar por nos respeitar desde já, reconhecendo o direito que todos temos de definir uma identidade e de escolher uma crença e cultura, por mais singular que a escolha seja, compreendendo de uma vez por todas, que podemos apreciar o que somos sem odiar o que não somos. Além do que, não é julgando as diferenças dos outros em relação a nós como defeitos, que nos colocaremos em evidência, visto que um indivíduo “elevado” não se comporta como um animal selvagem, que muitas vezes precisa matar o outro para afirmar-se perante seu bando.

Saudações cordiais,

 

        

A chama ainda arde

Sharon Rosenberg

 

          Parada no jardim, desde que o mundo recebeu uma visita inesperada, tenta manter-se acesa a pequena chama. Há anos tem sobrevivido a ventanias que sempre tentam destruí-la; no entanto, com a ajuda de mãos protetoras, ela se manteve firme. A cada dia uma alma bondosa se aproxima e a protege

Dias de dificuldade, de insegurança e, por que não dizer, de medo aparecem em sua frente e com um acanhado desvio, bruxuleando, a chama continua em pé, simbolizando a esperança que ainda teima em se manter quase intacta nos corações daqueles que se dobraram com a força dos vendavais. Entretanto há também os que, estando seguros, presos ao pavio, saem em busca de justiça e de uma nova realidade, saem em busca de atitudes que resgatem a condição humana.

O mundo não oferece as mesmas oportunidades a todos e os problemas se multiplicam gerados pela cor, pela religião, por nacionalismos exacerbados. Há tristeza, sofrimento, crueldade; porém também existem sorrisos, esperança e vontade de viver em paz e, sobretudo, há os que sentem vontade de iluminar este imenso jardim que tem alguns canteiros tão maltratados.

Cada ser humano tem que manter viva a chama. Sem isso, a escuridão vencerá, deixando os fracos com os corações partidos e as feridas abertas, por isso é preciso manter-nos firmes e fiéis a nossos desígnios e não desistir da luta em nome dos que são perseguidos e desrespeitados em suas crenças. Realizar o que nos faz bem e não fazer o mal ao próximo – essa deveria ser a lei da vida.

Temos que trabalhar para que as fagulhas acendam e as chamas se espalhem. Assim daremos força para a humanidade se reerguer com o respeito a que todos temos direito.

Há 80 anos uma nova mão surgiu, impedindo que a vela se apagasse, para guardar o que ainda restara do fogo e cintilar no jardim, onde já não se enxergava a vida.

 

Concurso Fábio Dorf 2011

“A Coexistência na Diversidade”

 

A B´nai B´rith do Brasil,  promoveu  a solenidade de Premiação do  Concurso Fábio Dorf 2011, cujo tema é: “A Coexistência na Diversidade”. Na cerimônia de premiação houve uma Exposição Fotográfica com os  melhores trabalhos selecionados pelo júri, Criado há dez anos, o Concurso Fábio Dorf se renova, reforçando, ao mesmo tempo, a sua característica multidisciplinar, ao agregar fotografia e redação como formas de expressão das reflexões dos alunos.

O  Concurso Fábio Dorf 2011 destina-se às escolas judaicas de todo o Brasil, abrangendo as categorias de Ensino Fundamental II e Ensino Médio.

Conheça os trabalhos vencedores do Concurso Fábio Dorf 2011

 

 

De Fernando Vitali, do 9º. ano Ensino Fundamental II, do Colégio Renascença, foi o segundo colocado na categoria Ensino Fundamental II

 

 

Fraterna diversidade

 

Durante séculos a história da humanidade foi sendo manchada por ações vindas da intolerância ao próximo, desde as mais absurdas, como a prisão de um homem que roubou um pão para dar de comer a sua família, quando um homem que rouba milhões só por ser considerado “idoso” e ter estudos, nada acontece, mas a intolerância com o próximo por diferenças étnicas, culturais, religiosas, ou quaisquer que sejam as diferenças, aconteceu demasiadamente aos olhos de todos. A oposição à intolerância não foi suficientemente forte para impedir o sofrimento de uma etnia escravizada até meados do século XX; a perseguição aos judeus, ciganos e alguns outros grupos na Segunda Guerra Mundial, simplesmente pelo fato de não aceitarem que todos somos iguais, todos somos seres humanos não importando a cor da pele, ou a preferência, sendo igualdade esse um dos lemas da Revolução Francesa, que forma atualmente a constituição dos homens e cidadãos e deveriam ser seguidos por todos, onde os três lemas são igualdade, fraternidade, e liberdade, e nada resume melhor o tema “A coexistência na diversidade”, do que essas três palavras!

Esta foto possui um grande significado, pois nela é possível observar os lemas da Revolução Francesa coexistindo numa diversidade imensa, duas pessoas de pele diferentes, de idades extremamente diferentes, mas ignorando isto, e agindo como se não houvesse diferenças entre si, para o bebe todos somos iguais, nada importa, todos somos pessoas; a senhora é livre para fazer o que quiser, já sendo aposentada, mas prefere ficar cuidando de um bebê que nem é seu, de cor branca, que quando crescer pode se tornar racista e atacar ela, mas ignora esse fato, simplesmente por ter desenvolvido um amor fraternal pelo nenê quando trabalhava na casa da família dele. Mostrando assim, que tudo que foi feito no passado podia ter sido diferente, podia ter sido melhor. O grande desafio da humanidade é respeitar as grandes diferenças entre as pessoas e assim escrever um final feliz e apagar as manchas já causadas na sua história, pela intolerância dos homens uns aos outros, pois claro as mudanças uma hora têm que ocorrer, e já está mais do que na hora de se dar início a essas transformações, e assim todos conseguindo viver juntos não importando nossas diferenças, isso se chama coexistindo na diversidade!

 

 

No condado de Tchaicovsky

 

 

De Ralph Michaam, do 1º. ano do Colégio Iavne, segundo lugar na categoria Ensino Médio, com o pseudônimo Violino

 

Efervescente como sempre, começou a tocar uma bela música melodiosamente dócil. Pressionava-me com seus dedos firmes e fechava os olhos para não ver a bela paisagem ao lado de fora da janela, talvez para não perder a concentração. Cravando uma nota equivocadamente, jogou-me no sofá e, com lápis e papel na mão, foi procurar a perfeição na nova canção que aos poucos compunha.

A bela Rússia, do lado de fora da janela, estava meio sombria por causa da chegada do inverno. Mesmo assim, as montanhas verdes e primorosas estavam sorrindo ao som da música de Tchaikovsky, que, neste momento, sentava-se à escrivaninha, inerte a tudo a seu redor.

Em determinado momento, ele levantou-se veemente da cadeira e voltou a me segurar. Minutos depois, estava eu, ressoando a música mais formosa que já ouvira. Certifiquei-me de que Tchaikovsky estava novamente de olhos fechados, e dei uma breve espiada no papel que ele escrevera.

Não era possível. Embora linda, a canção devia ser a mesma que eu tantas vezes tocara… Mas algo estava diferente e ainda mais maravilhoso. Não era possível que eu, solitariamente, estivesse produzindo um som tão inefável…

Resolvi dar outra espiada e dei-me conta de que havia mais três ou quatro violinos sendo tocados perto de mim, além de uma belíssima flauta transversal, um violoncelo e um piano. E o som produzido por todos nós, juntos, era maravilhoso. Mas impossível de ser produzido por um de nós apenas.

Pus-me a pensar ouvindo a bela melodia e compreendi que o  importante era estarmos unidos. Não importam as diferenças. Na verdade são elas que, quando em harmonia, têm o poder de tornar belo o mundo.

Como naquela gélida tarde de inverno.

 

Coexistência, Convivência sem Preconceito

 

 

De Adriana Kanarik Psanquevich, da 8ª. Série do  Colégio Bialik, que  conquistou o primeiro lugar na categoria Ensino Fundamental II, com o pseudônimo Laila Efraim:

 

 

Coexistência é a palavra mais bonita do dicionário, não há um significado específico, é uma mistura de liberdade e tolerância em relação à vivência com diferentes tipos de pessoas. O termo coexistência começou a ser utilizado há pouco tempo; não foi empregado por séculos. Graças a essa palavra estamos vivos, todos convivendo em paz e harmonia. Ela significa muito para todos nós; em Israel podemos ver islâmicos, judeus e cristãos, juntos em uma só nação, convivendo muito bem.

Aqui no Brasil: negros, brancos, índios, mulatos convivem sem discriminação, isto é- coexistem em nossa sociedade. Se você parasse para pensar que durante anos e anos houve guerras devido à ausência dessa palavra no nosso vocabulário; que Hitler quase conseguiu destruir o mundo, matou pessoas inocentes, por serem apenas diferentes; e que a Inquisição realmente aconteceu, perseguindo pessoas inocentes devido sua origem judaica.

Decidi colocar essa foto no trabalho com um propósito: eu quis mostrar que mesmo entre pessoas da mesma religião pode haver diferenças, porém com respeito, convivendo em harmonia; às vezes uma pessoa mais religiosa pode julgar incorreta uma pessoa menos religiosa, e vice versa com certa discriminação. Mas no caso do momento que presenciei não: vi que os dois indivíduos conversavam e conviviam bem, apreciando a obra que estava sendo feita em Tzfat, no Norte de Israel.

Eu acho que todos nós devemos continuar seguindo este caminho: paz, amor, harmonia, tolerância, sem discriminação ou racismo ou antissemitismo;

Não devemos menosprezar o outro, achá-lo incapaz ou menos útil que nós mesmos, pois, afinal, todos nós, mesmo diferentes tanto na cor de pele, cabelo, olhos, quanto de religião ou princípios, somos de uma mesma espécie, o ser humano.

 

Na transparência do ritmo clássico

 

De Katy Leila, do 2º. ano do Ensino Médio do Colégio Iavne, vencedora na categoria Ensino Médio:

 

 

         Aquele pequeno pé se firma na sapatilha de ponta fazendo um estalo no calcanhar, modificando-o de posição. A sensação que sentia a pequena dançarina era de voar ao lado de pássaros brancos, como se fosse um anjo que pudesse guardar os portões do bem e segurar o mundo inteiro por um fio de nylon preso pelos tons transparentes do céu.

Achava que seus delicados pensamentos se mesclariam com os dos outros, e assim uma só vida, uma só felicidade seria formada. Contudo, o constrangimento de não conhecer a si mesma e não conhecer os outros a deixava frenética, com medo de cair e abandonar aqueles enormes portões. Sua mente mantinha o prazer daquele momento, e a mocinha tentava entrar na mente de seus companheiros para retirar o egocentrismo que cada alma possui.

O braço subia, os dedos se alongavam, as pernas saltavam com aquele sissone inacreditável encerrando-se em um delicado plié. As batidas de seu coração deram ênfase àquele sorriso suave que se fixou em sua face. Ao moldar seus movimentos, sua alma se elevava possibilitando-a enxergar os diferentes passos que uma pessoa constrói ao andar. Sua ambição de conquistar o mundo através do ritmo clássico visava à felicidade de todos os outros dançarinos que lá se encontravam.

A dança era um modo de ela perceber quão diferentes são as pessoas, mas como as semelhanças às unem de uma maneira que nem a mais profunda ferida poderia separá-la. Não é questão de escolhas, mas somos como uma coreografia, em que a falta de um pequeno e desprevenido dançarino trinca o elo que temos com o mundo e enfraquece o compromisso de nos harmonizarmos a essa enorme passagem chamada vida.

Para enxergar esse rápido filme, a menininha angelical se contorcia em belíssimas piruetas, com o olhar fixo no feixe de luz que aparecia no final do teatro. Enfim, descobria ela os complicados códigos da existência.

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