Celebração do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto

“Mais do que nunca é preciso educar para o respeito às diversas religiões e culturas”

Hoje, 27 de Janeiro é Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, conforme Resolução da Assembleia Geral das s Nações Unidas, aprovada em 2005. A data escolhida é a da libertação dos prisioneiros do maior campo de extermínio nazista, Auschwitz.

A iniciativa visa lembrar este genocídio sem precedente na história da Humanidade e pede aos países que realizem ações junto aos professores e alunos para educar as gerações sobre a história do Holocausto, atuando contra o racimo, o preconceito e a intolerância. A Resolução condena também o negacionismo do Holocausto.

Após visitar Auschwitz-Birkenau, o agora ex Secretário-Geral da ONU, Ban-Ki-Moon, escreveu sobre como é fundamental não “esquecer”, e disse que combater o ódio é das mais importantes missões da ONU.

Em um dia 27 de janeiro publicou um artigo refletindo o quão incompreensível o Holocausto permanece ainda hoje. “A crueldade foi tão profunda, a sua escala tão grande, a visão dos Nazis tão distorcida e extrema e o extermínio tão organizado e naturalmente calculado”, afirma.

O novo Secretário Geral Antonio Guterres disse hoje que é impossível ficar indiferente quando alguém sofre, e que “o Holocausto foi o resultado de milênios de discriminação”. Guterres gravou uma mensagem para marcar a data.

A partir da resolução, a ONU criou programas de divulgação da história do Holocausto, através da educação, da distribuição de material e atividades internas e a partir de seus escritórios em todos os continentes.

A B’nai B’rith do Brasil ressalta a importância de lembrar para que nunca mais se repita, e de educar contra a discriminação e a intolerância. Há 14 anos promove em diversas cidades as Jornadas Interdisciplinares de Ensino da História do Holocausto destinada aos professores. Em São Paulo, a bem sucedida iniciativa pioneira, Projeto Mergulho, para as escolas municipais, entra em seu terceiro ano. Engloba Oficinas para os Professores, Atividades em Sala de Aula, Apresentação da Peça Mergulho, Debate com os Atores, Redação de Cartas e Concurso, abordando os temas do
Preconceito, da Discriminação e da Intolerância. A peça trata também do Holocausto, da Escravidão, da Violência e da vida do Adolescente, e é um grande sucesso.

A educação é um mecanismo de transformação, fundamental para a mudança de mentalidades. É o que todos falavam, ou ainda pregam, mas poucos fazem. As pessoas estão cada vez mais intolerantes. O afogamento na Itália, onde ninguém foi capaz de ajudar ou nem mesmo de acionar o resgate demonstra quanto as pessoas estão despreparadas para lidar com um mundo em mudança. O radicalismo não é solução, mas muitos irão adotá-lo.

Fomo refugiados há 70 anos. Fomos dizimados porque o mundo fechou as portas para nós. “O mundo silenciou”, como escreveu na capa de seu livro, nosso querido Ben Abraham z’L.

Agora, temos novos desafios. Mais do que nunca é preciso educar para a convivência. Para o respeito às diversas culturas e religiões. E como dizia i sábio Hillel, ainda antes da era cristã: “Se eu for só por mim, quem serei eu? Se eu não for por mim, quem o será? Se não agora, quando?”.

No próximo domingo, 29 de janeiro, às 18 horas, será realizada cerimônia pelo Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, na Congregação Israelita Paulista (CIP), Rua Antônio Carlos 653, entrada a partir das 17h30.

Lia Bergmann

Celebração do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto
 

 

TESTEMUNHO

Cabem-me no limiar dos 90 anos de vida, lembrar e fazer lembrar o que vivi como testemunho, hoje já tão raro dente os quais convivemos. Para que o que houve entre 1933 e 1945 ou até antes, não caia no esquecimento. Os fatos se tornaram história, e já há acontecimentos que alguns tentam negar. Esquecer jamais!

Pois, estava na Alemanha, especificamente em Frankfurt a/m, então menino de 12 anos, em 1938, passados com olhos bem abertos e presenciei com todos os detalhes, meu pai sendo preso, e levado para o campo de Buchenwald, pelo nazi fascismo, na Noite de Cristal.

Hoje estou acostumado com a lembrança quase diária dos fatos da época seja pela memória, ou seja, pela costumeira leitura sobre a tragédia que resultou em mais de seis milhões de vitimas nossas. Considero um milagre de ter escapado daquele pandemônio. Agradeço por isso.

Não é a primeira vez que me fez lembrar os detalhes, ao ler as paginas de “Holocausto”, de Martin Gilbert, amplo livro que transmite os em minúcia a época, bem como o surgimento da era do Nazismo na Europa. RECOMEDO. Sempre me pergunto como foi possível, tanto detalhe e tanto sofrimento de abençoada memória dos que se foram.

Pois, então hoje vivemos novamente época de transtornos com a abertura para a imigração na Europa de milhares de assim chamados fugitivos muçulmanos, uma perigosa época de difícil adaptação. Pois bem sabemos o que significa a adaptação para os imigrantes.

O nosso querido respeitado e sábio rabino Lorde Jonathan Sacks escreve iluminando esta época:

Quando a sociedade perde a fé, um tempo longo, com a explosão da violência, mulheres e crianças sofrem. A queda da confiança, a importante perda de matéria. Assim foi a época dos Patriarcas. Assim é hoje em dia.

O Judaísmo vive o contraste, a santificação do racionalismo, o amor entre os homens, marido e mulher, servindo para não se perder a compreensão, o amor de D’s a nós.

Que o nosso querido Estado de Israel neste ano possa encontrar o entendimento neste mar de desencontros em que estamos vivendo no inicio do ano 2017. Encontre o tão almejado sentido da paz. Somente com o entendimento entre as partes envolvidas pode-se se encontrar soluções e que estas sejam encontradas é o nosso desejo.

Em Shalom

Ernesto Strauss – Diretor Cultural da B’nai B’rith do Brasil

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