Caio Blinder e Jaime Spitzcovsky: a mídia é antissemita?

Jaime Spitzcovsky, rabino Iehuda Gitelman, Caio Blinder e Daniel Feffer

Caio Blinder e Jaime Spitzcovsky têm vários pontos em comum em sua carreira como jornalistas. Ambos foram editores de Mundo da Folha de S. Paulo e também assumem, enquanto jornalistas, sua origem judaica. Esse foi o ponto de partida para o debate “Judaísmo e Jornalismo”, promovido pela Conib em parceria com a Congregação Beth-El, que levou, na noite de 11 de novembro, cerca de 200 pessoas à sede da Beth-El, em São Paulo.

Em curta visita ao Brasil, Blinder também falou na capital federal, onde atraiu mais de 100 pessoas para a Associação Cultural Israelita de Brasília.

Caio Blinder participa do programa Manhattan Connection, da GloboNews, desde seu início, em 1993, é colunista de VEJA.com, da Tribuna Judaica e correspondente da rádio Jovem Pan em Nova York. Jaime Spitzcovsky, coordenador de Relações Institucionais da Conib, é jornalista e palestrante. Integra o Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da USP. Foi correspondente da Folha de S. Paulo em Moscou e em Pequim.

 “Mesmo em posições de comando, como na editoria de Mundo da Folha, assumi minha origem judaica”, disse Blinder em São Paulo. “Nunca vi nisso nenhum problema ético-profissional, pois a causa judaica é justa. Sempre colaborei com a imprensa judaica, desde o suplemento Campus, da Resenha Judaica, em 1975”.

 Spitzcovsky lançou então a pergunta, que “muitos aqui talvez queiram fazer”: ‘ A mídia é anti-Israel e antissemita?”. Para Blinder, “há uma preocupação das direções de jornalismo – seja na Globo, na Veja ou na Folha – em não serem partidárias. Assim, vejo certas reações da comunidade judaica como exageradas”.

 Para Spitzcovsky, estas reações podem ser explicadas por “fatores históricos e atávicos”. Ele observou que as empresas de jornalismo são apartidárias, mas também são indústrias. “O chefe de redação é cobrado duplamente – pela qualidade e pelo resultado comercial. Uma foto impactante gera mais tráfego.

 Ele acrescentou: “Há mais fatores em jogo, na mídia brasileira, como o sentimento antiamericano. O excessivo foco em Israel foi explicado por ele pelo fato de as notícias serem trazidas pelas agências internacionais.  E lembrou ainda a estratégia palestina de luta no campo das comunicações – dada a impossibilidade de vitória no campo militar. Blinder acrescentou: “Os palestinos refinaram o uso de imagens e estão dando uma importância maior à desobediência civil. Isso é um desafio complexo para Israel”.

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