B’nai B’rith Brasil condena Resolução adotada pela UNESCO que minimiza a ligação histórica dos judeus e cristãos com Jerusalém

“Uma das mais torpes distorções da História foi formalmente aprovada nesta terça-feira, 18 de outubro, pela UNESCO- Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura”, afirma Abraham Goldstein, presidente da B’nai B’rith do Brasil, entidade judaica de direitos humanos.

Nesta época do ano (de 17 a 22 de outubro), os judeus celebram SUCOT – a festa da colheita – uma das três Festas de Peregrinação ao Templo de Jerusalém, que constam do calendário judaico e o Muro das Lamentações fica repleto de fiéis que vem de todas as partes do mundo.

A Resolução da UNESCO, apesar de citar no início a importância de Jerusalém para as três religiões monoteístas, distancia-se deste fato ao longo dos incisos nos quais destaca que os locais são sagrados “apenas para os muçulmanos”.

Cita apenas os nomes dos locais em árabe e suprime alguns, minimizando a ligação da Cidade Velha e dos lugares santos como o Monte do Templo e o Muro das Lamentações para os judeus e cristãos.

“Estas distorções rejeitam não apenas a legitimidade do Estado de Israel, mas também, simplesmente, descaracterizam o Judaísmo e o Cristianismo como formadores da Civilização Monoteísta Ocidental”, afirma Leon Knopfholz, escritor e ex-presidente da B’nai B’rith do Paraná.

A cultura judaica está profundamente intrincada à Jerusalém, lembra ele. O Rei David fez da cidade a capital do Reino Unido de Israel e Judá. Sendo sucedido por seu filho Salomão, abrigou o Primeiro Templo, local, onde, de acordo com a tradição, repousava a Arca da Aliança, ícone da fé judaica. O Primeiro Templo foi destruído em 538 a.C., quando os babilônios devastaram a então Judá, dando início à primeira diáspora judaica. Após 50 anos de exílio, puderam os judeus retornar e reconstruir o Templo, tendo este permanecido como palco de inúmeras disputas, entre as quais, a dos macabeus, que reestabeleceram a capital  judaica  por volta de 150 a.C.

Nesse cenário efervescente, já sob o domínio romano, surgem várias facções judaicas, inclusive a liderada por João Batista e, mais tarde, por Jesus. Os judeus têm seu Templo novamente destruído em 70 d.C.

O jornalista e escritor Szyja Ber Lorber, destaca que Jerusalém é mencionada centenas de vezes tanto no Velho Testamento (Torá) como também no Novo Testamento (Bíblia Cristã). Os judeus oram diariamente e pedem “ano que vem em Jerusalém”. Mas, Jerusalém não é mencionada sequer uma única vez no livro sagrado dos muçulmanos, o Corão. Lorber também é membro da B’nai B’rith do Paraná.

A resolução considera Israel, um estado ocupante, e omite os beneficios e liberdades que tem sido implantados, para todos, nos espaços históricos e religiosos de Jerusalém.
As violentas ações incentivadas pelos extremistas muçulmanos exigem, de qualquer estado responsável, a adoção de medidas de excessão para assegurar a vida e segurança dos moradores e visitantes de Jerusalém.
Ao tratar do conflito israelense-palestino, a Resolução é unilateral, não condenando, por exemplo, a recente onda de violência perpetrada pelos palestinos, a partir de outubro de 2015.
“É uma insensatez que a Resolução tenha sido aprovada pela UNESCO, a quem cabe zelar pela Cultura e Educação mundial. Neste caso, não está respeitando a longa História da Civilização Judaico-Cristã na região”. “E além de tudo, é muito triste ver o nosso Brasil, um país essencialmente cristão e de ampla base etnico religiosa, votar a favor, mesmo com comentários, desta resolução” conclui Abraham Goldstein.

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