Alemães e a solidariedade aos judeus, contra o antissemitismo

Após uma série de atos antissemitas, os alemães foram as ruas em diversas cidades, com receio de que apenas 70 anos após o Holocausto o ódio aos judeus ganhe espaço na Alemanha. Na última quarta-feira, em diversas localidades milhares de manifestantes saíram às ruas com quipá, em marchas contra episódios de hostilidade antissemita.

É claro, que a quipá ou solidéu, com o qual os judeus religiosos cobrem a cabeça,  facilita sua identificação no caso de ataques.

Durante a tarde, a cidade de Erfurt recebeu cerca de 150 pessoas em manifestação com quipás, enquanto a capital reunia pelo menos outras 2.000 como palco central de um grande protesto nacional convocado com o lema “Berlim usa o quipá”, convocado pela mesma comunidade. Outras cidades, como Colônia, Potsdam e Magdeburgo também repetiram o movimento.

As imagens impressionam.

Homem mostra quipá, símbolo da manifestação em Berlim em solidariedade com a comunidade judaica – TOBIAS SCHWARZ / AFP

As manifestações seguem a indignação pública motivada por um ataque na semana passada contra um israelense de origem árabe que usava um quipá em Berlim. Ele foi agredido verbalmente por três pessoas e amarrado com um cinto por um refugiado sírio-palestino. Um vídeo postado na internet com as agressões viralizou.

— Ataques contra os judeus na Alemanha são dirigidos contra todos nós — afirmou o ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, sobre a jornada. — Se os jovens aqui são ameaçados apenas porque estão usando um quipá, devemos deixar claro: não estão sozinhos. Ninguém pode ser discriminado por causa de sua origem, da cor de sua pele ou de sua religião.

O jornal “Tagesspiegel”, citando dados do governo, informou que quatro crimes antissemitas foram registrados em média por dia no ano passado. A maioria — 1.377 de 1.452 — foi cometida por radicais de direita.

Manifestantes usam quipás durante protesto em Berlim – FABRIZIO BENSCH / REUTERS

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